segunda-feira, 5 de março de 2018

Fanfic: "Merry Me?" (+18)




    




Autora: Priscila Rayane e Mikaela Sofia



Sinopse:


Após 7 anos de namoro, Emily Chantrell já pensava na possibilidade de um casamento festivo e grandioso. Sendo assim, ela escolhe o dia 29 de agosto para propor casamento a seu "amado". 
Mas um capitão carrancudo cruza seu caminho e talvez a faça mudar de ideia sobre essa possibilidade maluca.
"É sempre necessário o 'contrário' para poder existir um certo equilíbrio entre as coisas. Por exemplo, o dia e a noite, a felicidade e a tristeza, o frio e o calor... Os opostos se atraem."





Prólogo:




Emily Chantrell, com seu famoso terninho e salto agulha estava indo até um lugar que significaria muito em sua vida... 

Adentrou o enorme arranha-céu empurrando a grande porta de vidro , avistando assim,  uma jovem loira como recepcionista e secretaria de um dos melhores corretores de imóveis do pais. Foi até a mesma e fez as devidas perguntas, sendo respondida prontamente pela secretária que mandou-a sentar-se em um sofá que havia naquele cômodo. Enquanto ia até o móvel, deixava seus pensamentos voarem até onde eles bem queriam...

"Tenho tudo que eu quero, faço tudo que eu quero, compro tudo que quero... Sem falar que meu noivo é daqueles galãs que parece até que saio de um conto de fadas, um dos médicos cardiologistas mais renomados de Nova York, carinhoso e me da tudo que eu peço. Bom, ele AINDA não é meu noivo... Só falta o pedido da parte dele."

Esse era um dos problemas para ela, achava que já teriam perdido tempo de mais com esse namoro, eles precisavam dar um passo a frente. Resta saber se para melhor ou pior... 

A jovem, que antes estava atrás do balcão sofisticado do prédio, agora estava em sua frente pedindo para acompanha-la.

Toc, Toc, Toc... As três leves batidas que poderiam mudar alguns dos planos de Emily.

Escutou um sonoro "entre" e adentrou o cômodo observando todo o espaço. Seu namorado já se encontrava ali em uma poltrona a frente do homem que venderia sua futura casa. Cumprimento-os e sentou-se ao lado de seu namorado.


– vocês tem filhos? – perguntou dr. Harrison, o corretor de imóveis.

– não – Emily e Jacob responderam despreocupadamente com um fraco sorriso em seus lábios.

– desejam ter?

– si... - ela ia responder de imediato que "sim", mas seu parceiro foi mais rápido. – NÃO! – respondeu Jacob convicto e sério.

– então, deduzo que o imóvel deverá ter apenas os cômodos necessários, sim? – perguntou. Assentiram maneando a cabeça em sinal de sim.

– a senhorita trabalha com o quê? – olhou para Emily.

– sou advogada. – respondeu orgulhosa.

– e o senhor?

– sou cardiologista. – disse Jacob com seu costumeiro jeito arrogante.


As perguntas seguiram sucessivamente e quanto mais seu futuro noivo, marido...  Ia respondendo mais ela ficava indignada com a forma que ele fazia tal coisa. Pensava que ele iria querer ter filhos correndo no jardim de sua casa, brincando, pulando... Ela estava enganada, mal sabia ela o homem que vivia ao seu lado era.
A pequena reunião foi acabada e Emily junto de seu namorado seguiram até a saída.


– tchau amor. – disse Jacob beijando-a na boca.

– tchau querido, te amo! – declarou ela e não ouviu o mesmo de seu parceiro.

– eu também, eu também...


"Eu também" não significa eu te amo! – pensava Emily enquanto observava o mesmo entrar em seu carro. 





Capítulo 1 – Deceased bride

 

Emily Chantrell

O barulho estridente de meu despertador soa por todo o quarto, fazendo-me acordar assustada. Me despertando de um maravilhoso sonho onde eu estava vestida com um dos mais bonitos vestidos de noiva... Com véu e grinalda.

Pensava tanto em meu sonho que acabei esquecendo a droga daquele aparelho ensurdecedor tocando... Bati com a mão no mesmo fazendo-o desligasse. Levantei e percorri meu olhar por todo o cômodo a procura de minhas tão amadas pantufas, encontrei-as e as calcei – era de coelhinho... O Jacob odeia quando uso elas. –. Fui até o banheiro e fiz minha higiene pessoal, terminando logo em seguida e indo até meu closet atrás de mais um terninho para ir até meu trabalho.


– Falando em trabalho... – falei pegando meu celular para poder olhar a hora, mas na barra de notificações havia uma mensagem do Jacob. Dei algumas leves clicadas e deslizadas para poder chegar até onde estava a mesma.



" Querida!! Irei largar mais cedo hoje, não tem muitos pacientes para atender. Então, quero te levar para jantarmos fora, o que acha?
Caso você aceite, te esperarei no gramercy tavern... As 20:00 horas.
Tenho uma surpresa... Beijos. "



Desliguei meu celular sem ao menos responder a mensagem e comecei a pular igual louca, ELE VAI ME PEDIR EM CASAMENTO!!! Só pode ser isso... Preciso ligar para a Bella urgentemente!

Deixei minha euforia um pouco de lado e fui até o banheiro novamente, tomei meu banho mais rápido, acho que bati meu Record. Vesti minhas vestes, calcei meu scarpin e peguei minha bolsa.


 •••

Já tinha se passado alguns meses que nós fomos até aquele escritório, o corretor de imóveis falou que nos daria uma resposta em três meses... E amanhã faz três meses.
Cheguei no prédio que trabalhava e fui direto para minha sala. Resolvi tudo que tinha de resolver e como não havia nada para fazer durante a tarde... Não iria ficar presa em uma sala lendo e relendo papéis! Liguei para Bella e a convidei para passar o dia comigo, escolher meu vestido também, claro. Essa é uma data muito importante para mim e o Jacob... Preciso estar lindamente e adequadamente vestida.

Já havia encontrado com Bella e estávamos em meu costureiro particular ajustando o vestido.


– Emy, como você pode ter tanta certeza que ele vai te pedir em casamento? Da outra vez você também pensou e ele só... – interrompo a mesma impedindo-a de falar qualquer coisa que me deixasse abalada. Ah, Amy é como ela me chama dês de a infância.

– eu sei, ele só queria um jantar romântico... – falei revirando os olhos – mas dessa vez ele falou que teria uma surpresa. – sorri só de imaginar a sena.

– tá, tá.. Só não quero que fique triste mais uma vez... – falou entortando a boca.

– não vou ficar! – falei confiante.


Acabamos os ajustes em meu vestido e ele ficou perfeito para a ocasião. Antes de irmos para meu apartamento, passamos em uma salão e nos arrumamos devidamente. A noite logo caiu e eu estava mais nervosa que qualquer coisa nesse mundo! Andava de um lado para o outro, seria capaz de cavar um buraco no chão se as horas não tivesse chegado. Desci até onde o motorista de Jacob me esperava e adentrei o carro seguindo um percurso silencioso e chato junto com o motorista.

Será que ele irá me pedir em casamento...? As vezes quando estou com ele sinto esse sonho tão longe... Penso até que pode ser impossível me casar com alguém e realizar meu sonho de ser mãe. Desde quando morava em Miami, sonhava alto com isso, aquelas águas... O sol, meus irmãos, sinto tanta falta deles. Preciso ir até lá fazer uma visita, vou comunicar a Jacob e pedir ao mesmo para irmos até lá, minha família não gosta muito dele. – fui acordada de meus pensamentos quando sinto o carro parar e o motorista abrir a porta para eu poder sair, não sei pra quê tanta formalidade...


– com licença? – perguntei a senhora baixinha que aparentava ser a recepcionista. – o senhor Jacob Boijick se encontra aqui? – perguntei sendo simpática.

– sim senhorita. – fui correspondida com um belo sorriso largo. Foi andando, dando a entender que deveria segui-la e assim o fiz. Chegando onde meu futuro marido estava, vi o mesmo levantasse e afastar a cadeira para que eu pudesse sentar-me.

– você esta linda! – sussurrou em meu ouvido antes de voltar para seu lugar. Corei no mesmo instante.

– oh, muito obrigado. – sorri – você também esta lindo! – elogiei.


O jantar seguiu tranquilo, ainda estava esperando para ver o que seria minha surpresa. Rolei meus olhos até seu corpo e percebi que estava colocando a mão em seu bolso no paletó, " ai, é agora! " pensei demonstrando meu nervosismo em minha face. Preciso ir ao toalete!


– amor... Preciso ir ao toalete. – falei e vi ele fazendo sinal com a cabeça. Saí dando leves passos em meu salto agulha. Chegando no toalete me olhei no espelho e estava perfeita, só um pouco suada... Mas resolvi isso com uma toalha de papel que havia ali dentro de um recipiente. Retoquei minha maquiagem, passei mais batom e fiquei me olhando no espelho.

– ele vai me pedir em casamento... – falei batendo palminhas de entusiasmo mas parei assim que vi uma mulher entrando e me olhando estranho, deve está pensando que sou louca... Passei por ela e fui para mesa onde estava antes. Sentei-me. 

– Amy? – chamou Jacob. 

– sim? – falei tentando soar despreocupada. 

– lembra daquela surpresa que falei? – acenei com a cabeça.


Meu coração quase chegava na garganta de tão acelerado que estava, e isso só aumentou quando vi ele por a mão novamente dentro do paletó e tirar de lá uma caixinha vermelha de veludo. Nesse momento meu sorriso já era capaz de chegar na orelha de tamanha alegria. Mas quando ele abriu a mesma meu coração falhou uma batida, meus lábios ficaram secos, uma lágrima solitária queria sair de meus olhos e meu sorriso foi morrendo pouco a pouco assim como toda aquela minha euforia.

Não tinha um anel de noivado, era um par de brincos esmeraldas...


– achei eles a sua cara quando os vi na vitrine. – disse ele sorrindo de lado.


Estava me sentindo tão envergonhada, queria esta em meu quarto... Lá poderia enfiar minha cara no travesseiro e chorar, chorar até minhas lágrimas cessarem. 


– obrigado querido, não deveria ter se preocupado... Deve ter custado caro. – falei pegando a caixinha.

– oras! Você sabe que dinheiro não é problema, posso comprar o que eu quero e o que você quiser. – falou passando seu dedo indicador em meu queixo.


Preciso ir para casa se não desabo aqui mesmo, ele quer aprofundar isso. Quer ter uma noite só nossa e no outro dia partir para seu trabalho sem nem mesmo me dar um " bom dia, querida! ", não vou suportar dessa vez...

Durante o resto do jantar ele foi dando suas famosas investidas, eu sempre esquivava de quaisquer coisas que ele tentasse fazer. Acabou que ele me trouxe em casa e foi para a dele. E aqui estou eu... Deitada na cama rodeada de cobertores e com o rosto virado para o criado mudo, olhava para o par de brincos que ganhei hoje mais cedo... Por mim nunca usaria essas coisas. Nunca gostei de usar isso mesmo. Me desabei a chorar.
O sono só se fez presente em meus olhos quando o sol já estava nascendo, por isso não dormi o quanto queria.


•••



Já estava em meu escritório, não queria falar com ninguém, mas tenho uma audiência para comparecer hoje a tarde, infelizmente.
Acordei com olheiras mais fundas que as da minha avozinha e uma enxaqueca, nossa... Parecia até que existia uma furadeira em minha cabeça. E para melhorar meu dia ainda terei que comparecer em outra reunião do senhor Harrison Wells para ver se a venda da minha casa está autorizada ou não.

Hora do almoço e eu estava sozinha, poderia ter chamado a Bella mas ela com certeza esta almoçando com seu namorado, então... Melhor não ter chamado. Além do mais, estava muito bem comendo sozinha... ESTAVA!
Ué, pensava que ela estava com o namorado.


– amiga, por que não me chamou para almoçar com você? – perguntou puxando a cadeira para poder sentar-se. – e porque esses óculos escuros? Conjuntivite?

– não Bella, apenas não aconteceu o que eu queria, e como sempre, chorei até pegar no sono. – falei já com vontade de chorar novamente.

– oh amiga... - pousou sua mão em cima da minha, que estava em cima da mesa. – porque não me ligou antes...? Você não poderia ter ido trabalhar hoje.

– é, mas você sabe, meu trabalho não me deixa folgar. – falei. 


Almoçamos conversando amenidades e sobre meu desentendimentos ontem, ela também não estava me ajudando em nada perguntado como eram aqueles brincos de esmeralda que se eu pudesse daria pra ela mas...

Estávamos indo para nossos devidos trabalhos conversando besteiras, como sempre. Falávamos sobre a Irlanda.


– ... Mas lá tem uma tradição que por minha parte acho meio bizarra, é o Leap Year. – disse.

– e o que é isso? – perguntei confusa.

– Segundo a brincadeira, no dia 29 de fevereiro as mulheres podem pedir seus namorados em casamento e o melhor de tudo, eles não podem recusar!! Bom, explicando melhor, até podem, mas aí precisam fazer algo especial pra amada, como um presente, uma declaração, um beijo ou qualquer coisa que a namorada gos... – não deixei ela terminar de falar e comecei a bater palminhas igual antes quando ficava feliz.

– perfeito!!! Vou pedir o Jacob em casamento no dia 29 de agosto. – falei, com um sorriso maior que o normal.

– mas porque dia 29 de agosto? A tradição da Irlanda é em 29 de fevereiro e isso é bizarro Emy! – disse ela rindo de minha cara.

– tá, tá! – falei beijando sua bochecha – agora preciso ir, tenho uma reunião, bye! – falei dando a mão para um táxi e entrando no mesmo.


Essa é uma ideia perfeita! Ãh... Escolhi o dia 29 de agosto porque é o dia em que nos iremos completar oito anos de namoro, seria o momento perfeito. Agora nós vamos comprar nossa casa e pronto! Estará tudo mais perfeito ainda. O carro parou, paguei ao motorista – simpático por sinal. – e segui até meu escritório, precisava pegar algumas coisas lá. Andava em passos largos nem percebendo quem estava em minha frente ou não, peguei o elevador e fui até minha sala. Assim que peguei as coisas que queria sai de lá e chamei outro táxi novamente, dessa vez com o destino diferente, claro.


•••


Já nos encontrávamos sentados nas poltronas em frente ou sr. Harrison que olhava alguns papéis.


– bom, a senhorita não morava aqui, certo? – perguntou-me. 

– não, morava em Miami.

– pois então, você terá que voltar lá para pegar alguns de seus documentos. – disse ele – é preciso.

– mas não tem outra forma não senhor? – perguntou Jacob.

– não, terá que ir até Miami.


Ele não esta me deixando alternativas... Mas eu já pensava em ir mesmo.


– tudo bem, e irei. – falei e Jacob me olhou indignado.

– pois então, a próxima reunião só poderá ser no dia 28... – falou organizando os papéis que antes mexia.

– ótimo! – disse Jacob.

– ...do mês de agosto. – não pode ser... – esperarei os senhores até lá. Passar bem. – falou e saiu da sala.


Ele não pode estar fazendo isso... Como vou pedir o Jacob em casamento dia 29 se dia 28 ainda estarei em Miami? Ah não ser que eu mexa meus pauzinhos e resolva para que esses papéis que não faço a mínima ideia pra que serve, saiam logo.
Viajarei amanhã mesmo!







Capítulo 2 – Travel and the renounced




Mas antes disso precisava informar ao Jacob, tenho certeza que ele não vai querer ir.  Preciso ligar para meus pais e falar que irei ficar em sua casa por dias ou menos uns dois meses, é ainda falta isso tudo para a tão esperada reunião do senhor Harrison. Também preciso arrumar minhas malas e comprar as passagens, fora as passagens do navio que ainda também tenho que comprar. Enquanto não faço isso vou aproveitar o pouco de tempo vago que ainda tenho para poder ligar para minha mãe. Quando chegar em casa, claro.

Estamos no carro, eu e meu namorado. Estava tão destruída olhando para os rabiscos que passavam rapidamente pelo vidro do carro, deixando meus pensamentos irem longe que nem percebi quando Jacob estava me chamando.


– am? Quê? – perguntei toda desconcentrada.

– te chamei várias vezes e você não me respondeu, por acaso estava pensando em mim? – perguntou ele ajeitando a gravata. As vezes esse convencimento e arrogância dele não me agrada nem um pouco.

– desculpa, estava pensando nas coisas que ainda tenho que fazer hoje. – falei me lembrando que teria que falar pra ele, que vai comigo. – ah, também preciso falar com você.

– e sobre o que é? – sorriu.

– sobre você ir para Miami comigo. – falei de uma vez só, vendo assim, sua expressão mudar rapidamente.

– sinto muito,  mais não irei com você. – disse ele convicto.

– porque Jacob?  Quando você foi visitar seus pais eu tive que ir com você, porque agora não pode ir comigo? – perguntei calmamente, já querendo ficar irritada.

– acontece meu amor, que aquilo sim foi uma visita. – gritou. – e eu não gosto de seus pais nem eles de mim, pra que eu ir? Vá você, é só pra pegar alguns papéis mesmo. – gritou novamente me fazendo chorar. Não sou capaz de gritar com ninguém, não gosto. E ele sabe disso.


Faz tempo que ele não falava assim, desse jeito comigo. A última vez foi quando descobri que ele estava me traindo, mas meu amor por ele é tão... Tão grande que não consigo não perdoa-lo.


– tudo bem. – sussurrei. Essas foram as únicas palavras que proferi depois que ouvi ele

falar todas aquelas coisas para mim, o caminho foi assim o tempo todo. Sentia ele tão distante... Antes, quando ele me via assim, me dava carinho, amor...  Mas agora, ele fica sempre assim, falando no celular com alguém que eu nem sei quem é. Quando vou perguntar para ele, o mesmo fala que não me interessa ou que é assunto de trabalho. Acho que aquele amor que sentia por ele esta se esvaindo de pouco a pouco, conforme suas atitudes.

Senti o carro indo mais devagar e olhei para o prédio onde se encontrava meu apartamento, nem esperei o veículo parar direito e abri a porta saindo em passos fortes e rápidos. O Jacob não mexeu um músculo com a atitude que tive, definitivamente, ele não era o mesmo. Entro em minha casa e faço a mesma coisa que fiz ontem, me jogo na cama e novamente me ponho a chorar.

Passei o resto da tarde em casa, pedi minhas férias antecipadas já que terei de viajar e passar dois meses fora. Tentei fazer o possível mandando e-mails para meus amigos e colegas de trabalho ou até mesmo os distantes, para ver se conseguiriam que meus documentos saíssem mais rápido, foi em vão. Terei de ir para a casa de meus pais mesmo.

Preciso ligar para minha mãe! – pensei e levantei-me da poltrona indo até meu quarto pegar o celular para poder fazer a ligação, assim que o achei em cima da cama, peguei-o e disquei o número...


– alô?! – a voz doce de minha mãe soou do outro lado da linha me fazendo ter uma sensação de nostalgia e vontade de chorar. – quem é? – perguntou impaciente.

– sou eu mãe, Emy! – falei para ver se me reconhecia.

– oh meu deus, é você mesmo? – parecia que estava rindo do outro lado da linha.

– sim! – sorri.

– por que sumiu esse tempo todo? Quando vai vir aqui? Aconteceu alguma coisa? – recebi várias perguntas em um suspiro só.

– ah mãe, estava trabalhando muito. Estou indo para aí amanhã mesmo, só falta comprar as passagens e não aconteceu nada. – estava me sentindo tão feliz... Meu coração seria capaz de sair pela boca. Pena que ainda sentia um vazio imenso nele...

– aquele seu namorado irá vir com você? – acho que o sorriso que antes esboçava em sua face agora tinha sumido.

– não mãe, vou só... – disse meio triste e acho que ela percebeu.

– você me parece triste. Tem certeza que não aconteceu nada? – perguntou novamente, só que dessa vez preocupada.

– quando eu chegar aí conversamos melhor, tudo bem?

– sim, filha.


Nossa conversa durou quase meia hora, estávamos colocando a assunto em dia. E nossa, passei muito tempo longe mesmo, meus dois irmãos estão casados; Ledward e Lucas. Nem me convidaram... E minha irmã, Camily já esta na faculdade. Meu pai, parou de trabalhar e agora esta aposentado, minha mãe sempre ficou em casa cuidando da família. Eles vivem melhor que eu...

Após desligar o aparelho, fui pra onde estava antes e liguei meu notebook para pesquisar sobre as passagens e comprar uma. Encontrei com o preço alto, baixo...  E achei uma na quantia adequada, comprei-a e fui fazer minhas malas, dormir um pouco mais. A viagem seria a noite.

 •••

Acordei novamente com aquele despertador fazendo barulho em meu ouvido, Levantei-me e fui para o banheiro, tomei meu desejado banho e já estava limpinha, entrei em meu closet e não sabia qual peça de roupa vestir... Calça, vestido, saia, blazer, sobretudo...  Não sei. Avistei unas peças de roupa que não usava fazia algum tempo, vesti-as e estava me achando confiante dentro das mesmas.
Olhei-me novamente no espelho e lembrei do Jacob, o sorriso que se formava em meu rosto foi morrendo aos poucos e meus olhos que antes brilhavam por conta da roupa, agora estavam opacos... Sem brilho.

Ele bem que poderia ir comigo! 

Balancei minha cabeça para afastar tais pensamentos e ideias, iria encontrar minha família, não posso ficar me deprimindo desse jeito. Botei um sorriso em meus lábios, peguei minhas malas e desci até onde o táxi me esperava. Algo me dizia que não vou voltar nem tão cedo para casa... 

Por todo o percurso que o carro fazia, eu olhava pela janela toda aquela cidade passando em rabiscos por meus olhos e imaginando como deve estar minha família, acho que a Camily está linda...  Senti o carro parando ouvi o motorista falando que havíamos chegado ao aeroporto de Nova York, sai do automóvel e esperei até ele tirar meus pertences da mala de seu carro.

Já me encontrava sentada em uma cadeira esperando aquela vozinha que sai de algum auto falante, avisar que meu voo irá sair, até que... 


– Varig 123 com destino a Miami, embarque sala 2. – era o meu!


AFF!  Só de imaginar que ainda terei de pegar um navio para ir até a ilha onde minha mãe mora...  Isso da um rebuliço em minha barriga, sempre tive enjoos quando viajo em algum transporte marítimo. Dês de pequena. Mas o engraçado é que, eu nunca tive medo de voar em avião, poderia ser ao contrário mas eu sou toda doida!  Só fico um pouquinho tensa quando o avião vai pousando... Tipo agora... Mas não chega a ser medo.

Os passageiros que antes ocupavam todas aquelas poltronas, estavam alguns em minha frente e outros atrás de mim. Sai de onde estava e fui até minhas malas, pegar as mesmas. Graças a Deus que nunca passei por algum desentendimento por causa disso.
Já com malas em mãos, lembro que ainda preciso comprar as passagens de navio.
A passos largos vou até uma mulher que estava atrás de um enorme balcão azul, sua boina e farda branca acabava deixando a ainda mais graciosa.


– com licença... – seus olhos verdes se acomodaram em meu rosto. – poderia me vender uma passagem de navio para no máximo uma hora?

– sinto muito, – droga! – mas a última passagem que tinha acabei vendendo para aquela senhora que está bem ali. – sua doçura enquanto citava tais palavras me faziam crer ainda mais o quanto era bonita por dentro. Mas o que mais me deixou chateada fora o conteúdo de suas palavras, como que irei viajar agora?

– tudo bem, sabe quando irá sair o próximo? – não poderia demonstrar o quanto fiquei chateada com o que acabará de me falar, afinal, o próximo navio deve sair daqui a algumas poucas horas.

– dia 24.

– mas dia 24 é semana que vem! – meus olhos estavam arregalados e minha voz havia aumentado por pura indignação.

– senhora, poderia falar um pouco mais baixo? – perguntou em deu tom de voz normal, olhava para todos os lados preocupada. Parecia não querer ver o superior me pondo pra fora por um escândalo

– desculpa. – isso não poderia está acontecendo... – sabe de outra embarcação que vai sair ainda hoje? 

– hum... Sim. – vi que pensou um pouco antes de falar.

– que ótimo! – disse batendo palminhas, eu realmente parecia uma criança.

– mas não sei se a senhora vai gostar... – nas alturas em que me encontro não sou capaz de não gostar. 

– então espere-me apenas alguns segundos. – falou pegando algumas coisas desnecessárias – para mim – em seu balcão.


Logo me chama para irmos a algum lugar que eu nem saberia onde podia ser, parecia os fundos. Olho de relance para trás, e vejo que já havia um homem tomando conta do e respondendo as perguntas das pessoas no balcão.


– para onde estamos indo? – precisava perguntar, por mais doce que a garota fosse eu não a conhecia. 

– um amigo meu era capitão da marinha. – proferiu tais palavras e logo de início não soube para que me ajudaria a ir até a ilha.

– moça, eu preciso de um barco!

– mas renunciaram ele do cargo, então, como vi que a senhora estava precisando de minha ajuda, irei pedir para que ele nos faça esse pequeno favor. – hum... Interessante.


Adentramos um pequeno cômodo repleto de uniformes e coisas de barcos, minha atenção fora totalmente tomada para todos aqueles detalhes militares. Quando era criança, meu sonho era ser polícia ou algo relacionado a isso, mas o destino não quis assim...


– Mike! – saldou a mulher que estava ao meu lado a poucos segundos.


Um homem de costas largas, trajado de preto estava inclinado observando alguma coisa coberta por um balcão de vidro. Segurava uma boina da marinha, ainda não era possível ver seu rosto.



Até que o vejo voltar a sua postura normal com sua cara fechada e... E ele era muito bonito... Que isso Emily, pensando na beleza de outros homens enquanto seu futuro noivo só tem olhos para você? - ouvi a vozinha da consciência me dando sermão e parei de observar aquele homem de imediato.


– oi Maria. – parecia impaciente e com raiva.

– preciso de sua ajuda. – e agora é minha vez de entrar na conversa.

– de novo? – que mal humorado!

– sim. – olhou para mim – preciso que leve essa senhorita até a ilha Rudolph.


Assim que seus olhos se bateram com os meus uma sensação boa percorreu todo meu coração, uma corrente elétrica se espalhou por todo meu corpo... Seus olhos pareciam ter algum tipo de imã, me prendiam igual prisioneiro atrás das grades. Mas acho que ele não conseguiu sentir o que se apossou de mim, seus olhos pareciam sombrios, sua cara fechada me causava um pouco de arrepios em pensar qual seria sua resposta para a pergunta de Maria.


– não. – que cara mais ceco, precisa de mais Love no coração!

– por favor? – pediu novamente.

– não. – citou a palavra me olhando dos pés a cabeça. 


Oras, o que eu tinha de errado? Baixei minha cabeça e me certifiquei de que estava perfeitamente apresentável, talvez ele estava olhando só para minhas roupas.


– você me deve um favor. – disse Maria.

– tá, eu levo. – UFA! Pensei que teria que esperar até semana que vem. – mas quanto vou ganhar?

– 200 dólares. – entrei na conversa respondendo ele.

– não, 500. – nem morta que vou pagar isso tudo!







Capítulo 3 – Grouchy captain




– não, 500. – é muito dinheiro, estou apenas com a quantidade que calculei que seria necessária. Ele não tem, não pode, não vai fazer isso! 

– moço, assim... – fui interrompida por ele quando proferi tais palavras. 

– 450. – disse visando meus olhos, que se encontravam apreensivos e preocupados. Minhas mãos estavam úmidas, como se houvesse mergulhado as em um balde d'água. 

– ãh, 300?... – perguntei estendendo meus lábios de uma ponta a outra em um sorriso nervoso. Seus olhos sérios e indecifráveis sobre mim só ajudavam a me deixar ainda mais nervosa. 

– 400! – estabeleceu em quase um grito, seus punhos estavam fechados, enquanto seu maxilar tremia devido à força. 


Se eu se quer pensasse em impor outra quantia, ele com certeza iria desistir de me levar até meus pais, então, concordar com suas questões será o que irei fazer, mesmo não tendo esse dinheiro. 


– tudo bem... – sussurrei sentindo a aflição me dominar, o máximo que eu poderia pagar era 300 dólares, pois esse é o valor normal de uma viagem de barco até a ilha de meus pais. O preço que ele me cobrou é exatamente a quantia que eu não tinha, não poderei dizer isso ao Sr. Ranzinza, aguardarei chegar a meu destino e lá irei conseguir o dinheiro completo. 


A baixinha, Maria, deu um sorriso de satisfação me olhando. Parecia gostar do fim de nossa conversa... Deu alguns passos e se aproximou de mim, seus braços me enlaçaram e um abraço aconchegante fora dado por ela. Retribui e me soltei da mesma. Vislumbrei a silhueta do coroa rabugento e vi que ele a olhava com outros olhos, suas bochechas se enrugaram e o mesmo estava prestes a sorrir, mas assim que percebeu meu olhar em sua face a ruborizou de imediato. 

Desviei minhas vistas preferindo visar o nada do que o olhar e me sentir nua perante seus olhos. Senti uma lufada de ar invadindo meus pulmões e assim, uma pontada de coragem invadiu meu subconsciente:


– então, já podemos ir? – indaguei vendo longo em seguida, ele assentir em um curto aceno de cabeça. – minhas malas estão bem ali!? – exclamei apontando o indicador em direção as malas. 


O arrependimento tomou lugar em meu rosto assim que ouço uma sonora gargalhada adentrar meus ouvidos, doce e firme, palavras que define a risada de uma pessoa que em breves e poucos minutos tinha apenas atitudes rabugentas ao meu ver. Sua cabeça inclinada para trás, me fazia acreditar que sorrir era algo que o mesmo não fazia sempre. Mas... Do que ele está rindo? 

Arqueei uma sobrancelha e o olhei curiosamente. 


– e você acha mesmo que eu vou ir pegar elas? – recuperando seu fôlego me perguntou. 

– claro! – exclamei achando sua pergunta um tanto idiota, indignada seria a palavra a me definir neste exato momento. 

– claro... Claro que não! Não sou burro de carga, você tem mãos para isso! – disse seco. O desdém notório em sua face e sua carranca inexplicável, fazia um sentimento ruim invadir meu coração: raiva. 


Um cavalheiro deve tratar sua dama como uma rainha, certo? Errado. Pelo menos, agora estou errada. Provavelmente, ele nem sabe o que significa a palavra "cavalheiro". 


– Michael! – Maria o repreendeu. O mesmo não parava de me fuzilar com os olhos, acho até que estava vendo faíscas... 


Sem falar nada, sai daquele cômodo militar e os deixei a sós. Ele a obedece, a olha com suas pupilas dilatadas, ele sente algo por Maria. Conclui puxando minhas duas malas; uma ocupando cada mão. Um passo é dado entrando assim, na sala que estava a minutos atrás, o barulho de meu salto fino ecoava por toda extensão me fazendo levantar a vistas e assustar devido o susto que tomei ao ver Maria e o Michael em um beijo urgente e ao mesmo tempo calmo. Minha mão fora parar sobre meu peito e um gritinho escapou de entre meus dentes, de minha boca. Fazendo os mesmos olharem para a entrada e me ver assustada, deixando Maria com seu rosto avermelhado e sem graça - não mais que eu por presenciar tal cena. -, mas o antipático revirava os olhos frequentemente chateado. 


– tchau Mike! – despediu-se Maria com um beijo na bochecha de Michael. 


A vi passar por mim e nem ao menos me direcionar o olhar, de cabeça baixa estava envergonhada. 

– tchau Maria. – sussurrou ele já quando não se era mais possível ver a silhueta de sua querida pelos corredores. Me fuzilou com o olhar e me deu as costas. 

– hey! – chamei sua atenção. 


Mas... Não sei para onde ir, não sei onde está seu barco, não sei o que fazer sem informações vinda da parte dele!


– o que é? – respondeu seco e virou impaciente. 

– é assim que trata seus passageiros? – perguntei sínica com os olhos levemente arregalados. 

– você não é minha passageira. – pontuo – sou um capitão da marinha, não um motorista de embarcação! – a convicção estampada em seu rosto  me fazia rir por dentro. 

– era... – murmurei. Minha feição denunciava o quanto tinha vontade de rir e gargalhar alto da situação. 

– o que disse? – perguntou aproximando-se ameaçadoramente. Agora, apenas o som das botas de cano curto dele se aproximando é ouvido por mim. 


Enquanto seus pés tomam a frente um do outro vindo até mim, meu coração acelera e minhas mãos passam a soar ao ponto de me fazer esfrega-las na saia lápis que chegava acima de meus joelhos. Passos foram recuados por mim assim que o vi chegando cada vez mais perto de meu corpo, seu olhar me fulminando como se houvesse falado a pior das barbaridades já existente no mundo só me deixava mais amedrontada. Sentindo o calor que exalava de seu corpo invadir o meu, fechei os olhos e esperei um grito sair de sua garganta. Centímetros eram a quantidade de espaço que nos separava um do outro, para minha surpresa, senti o sopro de sua respiração próximo a meu ouvido fazendo todos meus pelos se eriçarem e arrepiar de imediato. 


– eu ainda sou o capitão! – sussurrou fazendo uma corrente elétrica se prolongar ao meio de minhas pernas. Sua língua ávida e possessiva molhou a ponta de minha orelha e um suspiro demorado saio de minhas narinas. Dentes pressionaram o lóbulo de minha orelha e involuntariamente, minha mão é estalada sobre sua face. 


Meus olhos estavam arregalados e minha respiração acelerada, o vi levantar suas vistas e me  vislumbrar com uma mão sobre o lado esquerdo de seu rosto, se antes ele me fulminava apenas com um simples olhar, agora me abominava em todos os aspectos. 

– oh meu Deus... Eu não queria... – as palavras sumiram no exato instante em que precisava lhe pedir desculpas. 

– só vou lhe levar a maldita ilha porque estou sendo obrigado! – disse com os punhos cerrados, estava vermelho... Suponho que seja por raiva de mim, seu maxilar estava travado. 

– mas... Mas a culpa foi sua! – expliquei em um fio de voz e com a cabeça abaixada.


Nunca irei deixar esse irritante costume, odeio baixar a cabeça para todos os que mim sinto intimidada. 


– não tenho culpa se tem medo de homens! – esbravejou fazendo alguns pingos de sua saliva chegarem a meu rosto. 

– oh! – minha boca estava aberta formando um perfeito "O" e meu rosto mostrava o quão indignada eu estava por suas palavras. – seu... Seu... URG!!! – revirando os olhos, bati o pé no chão. 

– seu o que? – perguntou arqueando uma sobrancelha, meus cinco dedos estavam gravados na lateral de seu rosto. Eu nada respondi, apenas desviei o olhar demonstrando que não iria responder. – vamos logo! 


O mesmo girou nos calcanhares e a passos acelerados, passou pela porta gasta de madeira. Frustrada por não obter a coragem que deveria adquirir para rebater sua ofensa, peguei minhas malas e o segui. 



•••



– já chegamos? – perguntei depois de seis vezes repetindo a mesma coisa de dois em dois minutos. 

– se não parar de fazer essa pergunta não irei responder por mim! – gritou de onde estava. 


Sou acostumada a viver entre almofadas, mas terei de aguentar até chegar à casa de meus pais dentro dessa lancha, com alguns ferros enferrujados, garrafas de whisque na cabine onde o motorista fica; sujo... Como um ser humano consegue viver entre tudo isso? 

Sem o avisar, desci para a parte de baixo da lancha, onde fica a minicozinha, quarto, essas coisas! Antes de descer por completo as escadas, levantei minhas vistas e observei o homem de costas largas segurando o volante e assobiando uma música qualquer que passava por sua cabeça. Seu pé direito batia fazendo um belo e sonoro sapateado de acordo com o ritmo da melodia imaginária, fazia com que, qualquer um que não tivesse dialogado com ele pelo menos por poucos minutos acreditar que era um homem bom e que tratava as pessoas como elas merecem. Mas sua verdadeira face e carranca faz qualquer um pensar o oposto. 

Me despertando de tais pensamentos sobre a beleza do capitão, me pego imaginando o Jacob poderia está fazendo neste momento, trabalho, provavelmente. Desci as escadas e abri a pequena porta branca - que para poder passar, teria de se agachar. -, quando o fiz, levei um susto quando percebi que aqui em baixo estava mais desalinhados do que em cima. E novamente torno a perguntar: como diabos, um homem tão bonito e ranzinza consegue viver assim? 

Sem pensar ao menos duas vezes, joguei todas as roupas e sapatos que haviam sobre a cama, mas uma coisa... Uma revista para ser mais específica, me chamou a atenção... Tirando lençóis e blusas de cima da mesma, peguei a e senti meu rosto esquentar no exato momento. Joguei o "monte de papel impróprio" em algum lugar não visto muito bem por minhas retinas e prossegui com minha limpeza. Sim, eu iria limpar aquela bagunça! 

Dentro de alguns minutos quase tudo estava brilhando igual um brinco, apenas estava procurando um lugar exato para pôr as galochas dele. Apoiei a mão no queixo coçando o mesmo com as pontas de meus dedos, pensava em algum ligar específico para guardar esses calçados. Poderia guarda-las próximo a cabine, lá tem uma espécie de baú que claramente, cerveja para guardar esses tipos de coisas. Mas esse é o problema! Se me chegar a uma certa distância da cabine, Michael pode me ver, e isso não daria certo. Então, por via das circunstâncias, agachei-me e coloquei as galochas em baixo da cama. 

A possibilidade de levantar-se e sair desse cômodo passou por minha cabeça, só que mais revistas com peitudas siliconadas em sua capa estavam entre o lastro da cama e o colchão. 


– safado! – balbuciei me recompondo e voltando a minha postura normal. Ajeitei minha saia e olhei ao redor... Está do jeito que deveria está, limpo e cheiroso!
Destranquei a porta e sai fechando a rapidamente logo em seguida, a passos firmes, fui até a cabine perguntar a aquele pervertido se já estávamos chegando a ilha Rodolph. Pelos meus cálculos, já deveríamos ter chegado a horas atrás e já estamos há exatamente três horas dentro dessa embarcação! 

– já estamos chegando? – perguntei sem olhar para seu rosto, meus olhos foram tomado totalmente a atenção para o céu. Estava tudo nublado, o mar já começava a dar seus primeiros indícios de agitação; uma tempestade estava por vir! 

– acho que estamos perdidos... – concluiu visando as águas pouco agitadas. Possivelmente, ocorreu-lhe o pensamento de fugir, como se fugir fosse possível. Mas não era. 







Capítulo 4 – The bustle in the ocean




Ver aquele mar azul misturado ao tom de verde com ondas se chocando em outras me deixava cada vez mais apreensiva. À essas horas da tarde, o céu deveria esta azul somado a um sol  escaldante, o contrário, isso descreveria como o tempo se encontra. O oposto de tudo que eu havia pensado. 

Águas descontroladas, vento forte, e para variar, o homem que se diz "capitão" não mexia um músculo para inverter a direção da lancha, parecia uma estátua. Depois de ter me comunicado o que só de olhar o tempo em que estávamos sobre o mar já saberia que havia nos perdidos, paralisou igual pedra. 


– hey!? – chamei cutucando o mesmo com a ponta de meus dedos. Suas pestanas se chocaram repetidas vezes até seu campo de vista me alcançar e o mesmo vislumbrar minha face preocupada. – você está bem? – perguntei vendo o céu ficar cada vez mais escuro. 


Parecia cena de filme em alto mar: apenas faltava o monstro marinho, as piranhas, os tubarões e a cobra gigante. Pensar em tais coisas deixava meu psicológico frágil e amedrontado. 


– não te interessa. – disse voltando suas mãos ao volante.


Grosso!

Queria saber qual dia irei deixar de ser besta e parar de me preocupar com quem não merece um pingo de minha bondade. Claramente, nunca. 

Por entre meus pensamentos, fui desperta dos mesmos quando senti um líquido gelado molhar a lateral de meu corpo. Com o forte impulso que o capitão tomou para desviar de uma rocha no meio do mar, acabou por fazer a embarcação inclinar o bastante para uma grande quantidade de água invadi-la e me molhar por completo. Antes apenas o vento soprava fortemente meus cabelos, agora o fazia ao ponto de meu queixo tremer pelo simples fato de está molhada. 


– droga! – exclamou esmurrando o volante. 

– não precisa ficar assim... Estou apenas um pouco molha... – sua voz adentrando meus ouvidos me fez parar ao meio da palavra. 

– não estou assim por você, minha lancha está completamente molhada, e por culpa sua! – berrou sem tirar os olhos do mar. O rosto raivoso me deixava com mais medo de tudo isso, seus músculos contraídos me fazia crê que a qualquer momento iria levar um soco por encher seu saco. 


Realmente estou indignada por saber o quanto é frio e não se importa com as pessoas que estão ao seu redor, fala sem nem ao menos perceber que suas palavras duras podem machucar os que tem sentimentos... É ignorante igual um cavalo! 

Mais uma surrada de água é jogada abruptamente em meu corpo, não só em mim, ele também fora ensopado. Meus fios encaracolados grudavam em minha face me fazendo agonizar, para ajudar ainda mais na situação, as roupas grudavam em meu corpo igual fita durex! 


– preciso de ajuda! – berrou chamando-me. 


Com o corpo inclinado para sua direita, tentava ao máximo impor o volante para o lado oposto, as águas estavam ainda mais agitadas, fazendo com que a lancha não vencesse suas forças. Já se era possível senti-la virando e litros e mais litros de água adentrando na mesma, inundasse toda a madeira que nos segurava sob o mar. As ondas fazia a embarcação passar por cima de pedras que não podíamos ver apenas escutar o barulho das duas se chocando e esbarrando, a chuva forte contribuía para inundar todo o espaço em que pisávamos. 

Nuvens escuras cobriam o céu, acompanhado por raios que de minutos em minutos clareavam todos os lados. Trovões altos e rancorosos soavam por meus ouvidos e de quem estivesse por perto. As ondas seriam capazes de derrubar qualquer coisa que aparece em seu caminho: nós estamos ocupando seu caminho.

Segurando pelas barras de ferro que haviam ali, sentia meus saltos darem leves escorregadas, ameaçando me dar uma queda daquelas. Me agachei ainda segurando os ferros e os tirei jogando em  qualquer lugar, migrei meus pés descalços até onde Michael estava e toquei seu ombro, ele assustou-se, eu retirar a mão de onde estava. A lancha não parava de mexer de um lado para o outro de acordo com os impactos das ondas, em algum impacto forte desnecessário desses, fez meu corpo chacoalhar e ser empurrado para cima do mal humorado, seu peitoral largo e molhado colou-se a meus seios coberto pela blusa de tecido fino e molhado. Logo sinto seus olhos em meu decote e o empurro apressadamente. 

Ele volta a fazer o que antes ocupava seu tempo e me ordena a fazer o mesmo, o ajudando. Tento pôr toda as forças de meus braços para torcer a roda de madeira e acabo por escorregar e cair levando Michael comigo, nisso o volante se descontrola e passa a descontrolar a lancha também.


– sai de cima de mim! – disse pegando em minha cintura e me tirando de suas pernas, não me importando muito com a forma que me tratou, levanto-me e o sigo. Logo vejo que ele tentava assumir a direção mas era impossível pois o volante estava ainda mais descontrolado. – agora vamos morrer por culpa sua, perua! – xingou-me. 

– perua é a senhora sua mãe! – gritei sentindo meu corpo e ossos serem agitados de uma forma brusca, passamos por outra pedra! 

– oras, sua... – suas palavras não foram capazes de se concluírem pois uma torrente de água havia esbarrado em meu corpo, me jogando para fora da embarcação. 


Eu pedi tanto a Deus para me proporcionar um pouco de oxigênio, que suspendi a cabeça e tive a respiração. As madeiras começaram a quebrar. O barco começou a desmanchar. 



Narradora

Nesse meio tempo em que Emy se encontrava suspendida debaixo d'água tentando respirar,  ondas de possivelmente, 10 metros de altura bagunçaram o oceano e os restos da embarcação passaram a boiar. 

Michael desesperado por algum sinal da moça que se responsabilizará em leva-la a seu destino, passou a berrar e mexer os braços para chamar sua atenção onde quer que esteja. Mas a atenção que fora tomada para Jackson não havia sido de Emily... Barbatas grandes em um tom meio azulado apareceram na superfície do oceano, aproximando-se do mesmo. 

Eles já fizeram a moça de refeição?  

Pensava apoiado em um barril que antes, guardava água mineral. Ele olhava para o horizonte em busca de terra, barco ou até mesmo seu bote e boias que estavam espalhados pelo mar, mas nada achava. 
Enquanto Michael pensava em alguma possibilidade de sobrevivência e escapatória dos temíveis tubarões, Chantrell rodopiava suas retinas esverdeadas por todo o horizonte, à procura do capitão. 

Avistou algumas garrafas de whisky vazias boiando e se aproximou delas no intuito de joga-las para o alto e receber um chamado de alguém para salvar sua vida e a levar até seus pais. 
Enquanto chegava perto dos vasilhames confiante de que seu plano iria dar certo, tubarões a seguiam prontos para dar seus tão esperados botes. Emy sentirá algo ríspido e áspero encostar em seu tornozelo, e felizmente, sentiu-se amedrontada ao nível de por seus braços e pés para a ajudarem a mover-se, nadando rapidamente. 

Jackson batia seus pés e movia seus braços tentando manter sua cabeça e pescoço fora da água, gritou apenas mais uma vez e ouviu um chacoalhar de água a poucos metros de distância à sua frente. Seu corpo girou e seus olhos bateram na moça que nadava veloz. 


– hey! – Michael berrou. – moça! – Emily que não estava muito racional de seus sentidos no momento, parou o que fazia e observou o animal aproximar-se lentamente. 


As águas impedia o capitão de olhar direcionamente para ela, que não mexia um músculo. Isso não o impediu de nadar na direção da mesma. 
O medo a assolava por inteiro, sentia como se os suspiros que dera a poucos segundos, fossem seus últimos. Quanto mais o grande peixe fazia movimentos para chegar a ela, Jackson não pensará duas vezes antes de chama-la fazendo com que Emily o olhasse assustada, o medo havia paralisado seu psicológico. 
Estendeu seus braços e abraçou o capitão que nadava na direção oposta. 

A perua é um pouco pesada! 

Criticou ele em imaginações. Sua visão fora totalmente tomada para as barbatanas que vinha de cada lado para que olhava, tubarões rodeavam o capitão e a perua bloqueando o casal de qualquer passagem. 
A procura de algo, olhou para Chantrell e a soltou, segurou sua mão e juntos, nadaram até alguns restos de madeira que restaram da tão amada lancha de Jackson. Os movimentos eram rápidos, as carnes de seus corpos se sentiam cansadas e dormentes, os olhares eram apenas focados na madeira que poderia salvar suas vidas, enquanto os animais carnívoros repletos de fome tentavam bater suas barbatanas até eles. 

Já próximo aos pedaços, o maior fora o que subiram primeiro. Michael não havia gostado da ideia de dividir seu território mais uma vez com Emy:

Quando adormecer a jogo no mar. 

O ser molhado e encolhido tremia com os lábios roxos, e mesmo assim, seu lado egoísta falou mais alto. Esticou seus braços e conseguiu pegar rolos de pau que passavam boiando por sua frente, Jackson pôs seus braços para trabalharem e remou o máximo que conseguiu. 


– mulher? – espalmou sua mão gelada no braço da garota que tremia dos pés a cabeça e a balançou bruscamente. 

– hum... – resmungou abraçando a si própria. 

– vai remar! – ordenou e Chantrell não hesitou levantando-se de onde estava, pegando o pedaço de pau e remou. 


Emy estava fraca, seus dedos doíam. 

Ao fim do longo tempo remando, conseguem entrar costa. Michael equilibrou seu peso ficando de pé em cima da madeira não tanto confiável que os levavam longe dos predadores e esticou suas vistas: uma ilha desconhecida. 
Remaram até ela. 

Estavam exaustos de tanto remar pra tentar salvar suas vidas que mal chegam a areia e se derrubam sobre a mesma onde desmaiam sem forças. 





Capítulo 5 – Post storm... Lost on the island




Emily Chantrell 

Dedos longos e gélidos faziam trilhas sobre as maçãs de meu rosto deixando-me arrepiada, por um distúrbio minhas imaginações afloraram e Jacob passou por minha cabeça... Sentia os pensamentos longe, em algum período tão distante que seria impossível chegar ao mesmo. Meu namorado agora não abitava mais minhas elucubrações: Michael estava ao meu lado, igual casais apaixonados recém casados... Algo que NÃO ESTAVA em meus planos e MUITO MENOS deveriam estar em meus pensamentos! 

Pouco a pouco, os olhos foram se esticando e abrindo. Esboço era apenas o que eu podia vislumbrar naquele momento, a claridade da luz do sol me fez fecha-los em uma rapidez incrível. Logo sinto os mesmos dedos abrir um olho e a silhueta de um homem com cabelos desalinhados apareceu me fazendo assustar. Os dois olhos foram abertos. 


– quem é você? – interroguei de olhos semi-serrados, estava embaçado. Bati repetidas vezes minhas pestanas na esperança de conseguir enxergar normalmente de novo, e obtive êxito! 


Preferia mil vezes permanecer com a visão turva do que olhar esse ser desprezível com as mãos na cintura me encarando! 


– sou o cara que você fez um inferno da vida dele. – pontuou irritado. 


Seria apenas necessário visar sua carranca costumeira; seus traços angelicais que de longe enganam qualquer um. 


– eu não fiz nada! – digo com expressão confusa. 

– é claro que fez! – exclamou – primeiro atrapalhou meu beijo com Maria; – explicou apontando o indicador em minha direção. – segundo, me atrapalhou quando estava dirigindo a lancha e agora nos fez parar nesse fim de mundo! – gritou. 


Só quando ele esbravejou tais palavras me dei conta de que não sabia onde estava, girei o corpo em sintonia com meu olhar o acompanhando. Coqueiros, bananeiras, areia e mar. Uma ilha. 

Eu estava em uma ilha junto deste arrogante, oh céus... Isso não pode está acontecendo justamente comigo! 
Nem um resquício da embarcação em que estávamos seguindo a viagem se encontrava na areia, exatamente nada. Precisava procurar por alguma coisa, algo que me faça ter contato com Jacob!  Um celular, qualquer coisa! 


– você é maluca? – Michael perguntou quando me viu correr sujando meus pés. 


Talvez nossas coisas estivessem no outro lado da ilha, ou até mesmo pessoas morassem por ali. Então, com minhas "ideias" em mente, corri a procura dessas possibilidades. 


– não! – disse subindo minha saia até a metade das coxas. Ainda correndo, virei a cabeça e olhei para trás: ele também estava correndo! Para ser mais específica, me seguindo. – para! – ordenei. 

– não. – gritou suspirando. O cansaço já me invadia, o suor pingava... Apoiei as mãos nos joelhos e parei. – estava tentando perder uns quilinhos é? – parou ao meu lado. 


Ah, mas ele não fez isso! 


– me chamou de gorda? – agora carregávamos uma seriedade em nossas retinas que seriam capazes de mutilar um ao outro, estávamos ruborizados com os olhos em chamas. 

– não... Mas pode considerar. – ironizou com um meio sorriso estendido em seus lábios rosados e carnudos. 

– gorda vai ficar sua cara quando eu esbofeteá-la! – ameacei obrigando minha exagerada vontade de bater no mesmo ir embora. As bochechas queimavam como brasas em uma fogueira com chamas. Fiquei surpresa, pois na maioria das vezes, amarelo e saiu com o rabo entre as pernas... Igual um cachorrinho indefeso.

– duvido! – desafiou desmanchando o pequeno sorriso.


Cumprir desafios é uma das coisas que menos sou acostumada a fazer copiosamente, é como me obrigar a ir dormir sem estar com sono. É mais um propósito para me fazer abaixar a cabeça. E assim o fiz, o deixando com ar de superioridade. 
Meus pés se direcionaram para o lado oposto e assim continuei meu trajeto, desta vez caminhando. 

Não é possível eu ter causado tudo isso e vir parar aqui, deve ser um castigo mandado por divindades! É para pagar todos os meus pecados! Se não tivesse confiado naquela garota com jeitinho de anjo, não estaria passando por isso agora. Com certeza meus pais vão perceber minha "não chegada" em sua casa e iram comunicar a algum resgate aéreo, tenho esperanças quanto a isso. 


•••


Um monte de mato e árvores se encontravam sobre minhas vistas. 
O ronco de minha barriga e o cheiro de suor exalavam por meu corpo, talvez... Talvez eu deveria ir explorar essa imensidão verde e colorida das frutas... 

Segurei o galho em minha mão e com o outro monte de mato fiz o mesmo, assim, abrindo espaço para eu poder passar. Só de ver todas aquelas árvores já pensava na hipótese de animais asquerosos abitarem aquelas folhas e terra úmida, me fazia ter medo e ao mesmo tempo nojo. Passei a caminhar lentamente, observando cada passo dado por mim, e qualquer barulho, seja das ondas se chocando na areia e voltando para seu devido lugar até o vento soprando as folhas amareladas das plantas. 

Ouvia minha barriga reclamando mas o que mais eu não estava aguentando era a pele peganhenta e oleosa, decidi então, que um banho era a melhor opção. 
Sem pensar duas vezes, voltei pelo mesmo caminho à passos largos. Não me importo com galhos, cipós, folhas ou os matos roçando nos calcanhares e joelhos. Avistei a praia e corri até a mesma, chegando lá parei antes de umidecer os pés. 

A água salgada poderá causar pele avermelhada e irritada, isso irá me trazer consequências algumas horas depois... Infelizmente, o calor e suor não me deixavam pensar direito sobre consequências. Tirei as vestes ficando apenas de roupa íntima, afinal, Michael não estava aqui por perto, estou longe o bastante para ficar passeando pelada sem ninguém me ver ou questionar. 

Em menos de minutos já me encontrava limpa e salgada, e como já sabia... Estava igual um camarão, apenas faltava andar de lado! 
Um mergulho fora dado por mim, a água azulada da praia me proporcionara uma cessação de liberdade e tranquilidade. Como dizem meus pais: "o mar espanta males obscuros de nossas entranhas..." soa como algo assustador, igual um bicho de sete cabeças... Mas as palavras sábias e estranhas, realmente, expulsavam minhas obscuridades – que não eram tantas. – dando lugar a ingenuidade. 

Sacudindo a cabeça, tentei dissipar tais pensamentos da memória, finalmente forcei meu corpo e chegar a superfície. O sol apontando para meu rosto me fazia agonizar ao abrir os olhos e visa-lo com as retinas à lacrimejar. Tirando minha atenção da luz brilhante, de repente, ouço uma gargalhada. Procurando a origem do som... Quem eu menos queria e fazia questão de ter certeza que não ia aparecer por aqui, segurava a barriga com seus braços rindo de minha pessoa. 


– hey, coloral! – diz ele recuperando o fôlego tomado por risadas.


Franzo os lábios e me distancio da areia. Recuo pequenos passos até sentir a água em meus joelhos, agacho e sinto o lençol azul gélido me cobrir. 


– sai daqui! – minha voz sai de minha garganta como ácido; trêmula e baixa. 

– tudo bem. – seu timbre é profundo e ressoa no ar. E seu sorriso deliberadamente lento se dissipou, dando lugar a um queixo contraído e uma feição impenetrável. Suas retinas escuras não paravam de me observar, chegava à assustar. 

– pare.  – insisti o fazendo tirar o peso de seu olhar de meu corpo que ainda seria possível ver pela água ser cristalina de mais. 

– não estou fazendo nada... – estava despreocupado ao ponto de fechar os olhos e erguer as sobrancelhas. Seu cinismo e sarcasmo era algo que em suas palavras não poderiam faltar. 

– está me olhando estranho, pare?! – acusei erguendo meu corpo, sentindo os pingos escorrerem de minha pele fria. 


E novamente, seus olhos tomaram posse de meu corpo, pareciam me comer... Não gostava disso! Apenas Jacob fazia isso, mas não de uma forma tão intensa... Sempre fui fiel para nem ao menos olhar nos olhos de outro homem, mas esse está me tornando um desalinho. 


– ah, docinho... – apelidou. – já vi coisas muito mais melhores que esses seus peitos pequenos e bunda magrela... – seu sorrisinho sacana fora o que me tornou ainda mais irritada. 

– seu... Seu velho arrogante! – hesitei antes de fazer o pronunciamento, pois seus pés descalços passaram a ficar um à frente do outro vindo até mim. 


Girei nos calcanhares fazendo as águas se agitarem ao redor de minhas pernas, tentei correr mas a pressão da água se tornava cada vez mais pesada fazendo-me tropeçar nos pés e voltar para onde havia saído: caí. Logo mãos grandes puxaram minha cintura fortemente, levantando-me e me colocando sobre seus ombros. 


– me solta, seu ogro! – gritei estapeando suas costas, juraria que ia ficar as marcas de meus dedos. 

– você vai ver quem é velho. – avisou segurando-me com mais firmeza. Seus braços definidos porém, com pequenos músculos fortes, enlaçavam minha cintura de forma possessiva. 


Em um momento de deslize de Michael, os dedos afrouxaram e a probabilidade de eu me soltar e correr dele veio a tona. Rapidamente, obriguei seus braços a me desenrolar com um forte puxão, fazendo-o me livrar e cair atrás de suas costas, na areia. Quando ele virou-se meus pés já estavam movimentando-se e em uma atitude brusca, olhei para a direção onde estava caída segundos atrás e uma quantidade de poeira se espalhava pelo ar, causada pelos pés de Michael que faziam uma correria só. 

Oh meu Deus, se ele me alcançar não sei o que irá fazer comigo! – digo em meio à pensamentos e observações. Se Bella estivesse aqui, não corria dele, enfrentaria com garras e unhas! Mas eu não sou a Bella... Ah, preciso parar de pensar nela e colocar meus músculos para exercitar. 
Nossos movimentos eram igual uma corrida, da qual, o propósito era ver quem chegava primeiro na linha de chegada. Mas a corrida que estávamos a fazer, era para ver se eu conseguiria escapar dele, que era algo inevitável. As pernas de Michael eram mais longas que as minhas, que lhe proporcionavam alcançar um trajeto maior que o meu em poucos segundos. E isso não demorou a acontecer.





Capítulo 6 – Frequent teasing with burning kisses



O estalo de meus joelhos dobrando-se ao meio e relando na areia repleta de pequenas pedras pontudas fez com que, um gemido sofrido saísse de minha garganta. Sofrido porque um corpo pesado se esparrava sobre minhas costas e pernas, tentei ao máximo o empurrar mas era mais forte, me agarrando com os braços em seguida. 


- o que pensa que está fazendo?! - perguntei debilmente. 


Sabia que estava à prender meus braços com algum tipo de corda encontrado por ele em qualquer lugar deste fim de mundo, não vejo o momento de sair deste pileque! 


- te amarrando, fujona. - ainda sobre meu corpo, com uma perna em cada lado, disse despreocupado. Podia sentir minhas maçãs levemente esquentadas, apenas calcinha e sutiã era o que cobria meu corpo, nada mais. Sobre os olhos de Michael e a vergonha, sentia-me isolada. 

- mas o quê? - inquiri, com a voz quase sem som. 

- você está bem? - suas sobrancelhas juntaram-se formando uma ruga entre as mesmas ao tirar seu corpo de cima do meu e olhar para a testa. 

- tem um ferimento na cabeça. Está sangrando. - constatou aproximando-se. 


Estava tão perturbada que não notei, à princípio, a umidade quente e pulsante em minha têmpora.


- ah! - gemi tocando minha testa. 

- acho que com o impacto, você acabou batendo sua cabeça no chão. - ele disse encostando a ponta de seus longos e quentes dedos em meu ferimento. 


Olhos fechados e boca entreaberta. Como se fosse uma espécie de exercício facial para passar dores. Palmas de mãos grandes tocaram vagarosamente, meu corte. Minhas pestanas se distanciaram uma das outras e pude contemplar o Sr. Ranzinza á observar meus lábios, corei.
Suas retinas em um posso negro de mistério pareciam brasas à queimar meus lábios, sua visão fora de encontro a meus olhos e lá parecia ver a alma e todos os pecados. Era estranho... Nunca senti tais coisas com Jacob, Michael era mais intenso. 


– qual seu nome? – perguntou-me sem tirar os olhos dos meus. 

– Emy... Emily! – corrigi a mim mesma por lhe dizer o apelido, apenas os mais íntimos me chamam assim. 

– oh, Emy? Não é nome de perua, sabe... É meigo e fofo de ma... – interrompi sua pronúncia. 


Há pouco estava à me observar sem nenhum resquício de ruindade, eu literalmente não o entendo! 


– é mesmo? – assentiu em um pequeno aceno de cabeça. – Michael também não é nome de uma pessoa tão mal humorada como você, seu grosso! – franziu o cenho. 

– e como sabe meu nome, perua? – arqueou uma sobrancelha. 

– oh, inseri seu nome no Google e me apareceu uma biografia sua: " Michael foi um capitão da marinha metido e arrogante que fora renunciado do cargo assim que passou a xingar os outros. Por ser muito velho, os comandantes concluíram que não seria mais útil em trabalho algum. " – criei uma "biografia" repentinamente debochada. Seu rosto se encontrava ruborizado e avermelhado, podia ver fumaça sair de seus ouvidos – exagerada é meu segundo nome. –. 

– eu te odeio, sabia? – um sorriso vingativo queria estender-se em seus lábios. Suas palavras me assustaram.


Sem se importar, passou por mim devagar e seguiu para algum lugar desconhecido. Andava chutando as areias que cobriam seus pés e os deixavam acinzentados. Parada sem fazer movimento algum, estava pensando se o seguiria ou não... Sempre que o faço sou xingada e ignorada, tratada da pior forma que um homem poderá tratar uma mulher, então ficar longe dele seria uma boa alternativa... Mas, por outro lado, não sabia o que fazer e nem tão pouco como me defender e viver em um lugar desses. Cresci nas bordas da praia onde meus pais moram, mas anos longe de tudo isso me fez desaprender de como é viver aqui. Engolindo o orgulho e ajeitando a postura de minhas costas – que por acaso, doíam. – corri até Michael. 


– Michael! – chamei aproximando-me, ele virou e me olhou com olhar vazio, parecia magoado ou com lembranças ruins de um passado doloroso... 

– o que você quer agora, me humilhar mais? Descobrir a história da minha vida em um passe de mágica, ou me bater outra vez? – indagou me olhando feio. 


As duas últimas perguntas eu poderia até fazer, não é má ideia. Mas a primeira está totalmente errada, ele ama humilhar as pessoas, me humilhar! 


– quem costuma fazer isso que acabou de falar é você... – desviei meu olhar para o nada. 

– quem te falou sobre eu ser renunciado da marinha, e como sabe todo o resto? 

– a Maria... Mas as outras coisas inventei de acordo como você me trata, é um rabugento insuportável. – confessei o que achava de sua pessoa receosa por levar um soco no olho. 

– tinha de ser, aquela fofoqueira! – disse baixo na tentativa de não me fazer ouvir. 

– ela não é fofoqueira. É gentil e doce, não a chame assim! – defendi uma pessoa que conhecia só por algumas horas. 

– quem ver cara não ver coração... – murmurou entortando a boca. – bom, o que você queria comigo mesmo? – tentava recordar se eu havia comentado o que queria, eu não havia. 

– ãh... Eu poço ficar com você, sabe... – me interrompeu com suas gargalhadas.


Mas porque rir? 


– não costumo ficar com mulheres frígidas. – ergueu as sobrancelhas de forma convencida enquanto me visava dos pés até os fios de cabelo.


Frígida é sua madrinha, seu arrogante... Ignorante , chato... GRR! 


– eu não sou frígida! – esbravejei com as mãos fechadas e suadas. Estava nervosa. 

– ah, não? – disse dando curtos passos rodeando meu corpo, isso é como um ameaçador adentrar meu campo de proteção. – então... Prove. – com a boca próxima a meu ouvido, sussurrou as palavras. 


No exato instante em que disse, senti minha calcinha encharcar e meus pelos esticarem, arrepiada. Uma corrente elétrica passou de relance em meu corpo, parecia que tinha levado um choque de realidade... 


– pro... Provar como? – perguntei aproximando meu rosto do dele, seu olhar era tomado para minha boca fazendo com que, a eletricidade por minhas correntes sanguíneas aumentassem dez vezes mais. 

– não sabe beijar, perua? – provocou roçando o fino nariz no meu. 

– eu não sou perua! – esbravejei rangendo os dentes. Mas parei o que fazia com os mesmos assim que  passei a pressionar meus lábios contra os seus provando de seu gosto açucarado. – e eu sei beijar! – disse interrompendo o selinho demorado que logo passou a ser um beijo ligeiro e excitante quando senti Michael por uma mão em minha nuca, e outra na cintura. 


Sua língua acariciou meu lábio inferior e pediu passagem, o gosto amargo do whisky me fez constatar que durante a "quase viagem" ele havia ingerido bebida alcoólica. Os dedos pressionavam minha cintura com certa força fazendo-me gemer baixinho contra sua boca habilidosa. Era possessivo. 
O ar não se fez presente e tivemos que nos desgrudar, infelizmente. 


– é. Você sabe beijar. – após afirmar tal coisa me depositou outro selinho. 


Quando o vi virar e passar a andar novamente, só assim para perceber que o sol estava a deixar minha pele ainda mais irritada. 
Droga! 


– hey! – o chamei. 

– quer me beijar de novo? – de costas, andando, perguntou. Tinha um corpo magro e grande de costas largas, os pequenos músculos de suas nádegas contraiam quando cada passo era dado por ele, aguçando ainda mais meus desejos.

– pare de ser convencido uma vez, pelo menos?! – bati com as palmas das mãos em minhas coxas... Nuas. 

– e você deixe de ser oferecida e vá vestir uma roupa! – ordenou com a voz autoritária, baixei minha cabeça olhando para meus pés sujos. 


Michael continuou a andar e eu o perdi de vistas. Suas atitudes as vezes não são muito toleráveis... Estou seriamente achando que não suportarei passar mais um dia junto dele. 


•••


O dia se foi e a noite chegou, dando-me medo de ficar sozinha no escuro com a luz, apenas da lua. 
Não sei o que Michael estava à fazer durante o dia, não o vi. Passei a tarde por baixo de sombras de árvores comendo algumas frutas que encontrei espalhados no chão, eram maçãs, acerolas e pitangas. Procurei por amoras e laranjas mas não as achei... As bananas ficavam no alto de suas árvores verdinhas, os cocos com água fresquinha também encontravam-se na mesma situação que as bananas: no alto. 

E agora, estou eu à observar as estrelas sentada em um monte de folhas com as pernas dobradas. 
São tão lindas... 

Conseguia ver desenhos de uma constelação a outra, os pontinhos brilhantes do céu, me deixavam encantada. Minha mãe costumava levar-me para ver a maré refletir as estrelas todos os dias antes de adormecer em seus braços, quando era pequenina. A rotina se deu fim quando tive de ir estudar no exterior, deixando meus doces costumes para trás... 


– Emy? – uma voz um tanto calma chamou-me. Michael? – Emily, hey! – tocou o ombro. 

– hum! – assustei com seu toque, estava prestes a dormir observando as estrelas no alto céu azul... Mas interrompeu-me com seu timbre musical. 

– vamos. – disse segurando meus braços com certa força. 

– para onde? Quero ficar aqui. – disse subindo minhas retinas para os pontinhos. Esperando que ele partisse e me tratasse mal, continuei a fazer o que me interessava. 


O calor tinha aumentado, ele estava quase colado a meu corpo, havia sentado ao meu lado. 


– porque vivemos discutindo sempre? – interroguei após longos minutos calada, sentindo o silêncio se estabelecer no ar. 

– eu não sei. – olhava para o vazio, o nada... Como uma pessoa solitária e triste. – podemos dar uma trégua. – sugeriu. 


Sim... Não é uma má ideia, assim poderei me sentir mais segura e saberei mais sobre esse capitão carrancudo. 


– podemos. 

– qual sua idade? – perguntou olhando para meu rosto agora. Estava curioso. 

– alguns anos mais nova que você. – seguindo as estrelas, consegui desenhar um coração. Jacob não liga para coisas tão simples... 

– especifique-se.  

– vinte e quatro. – os pensamentos iam longe... O que Jacob estaria a fazer neste exato momento? – e você, tem quantos anos? 

– é nova. – disse. – quarenta e três. 


Seus traços faciais não demonstrava tantos anos, parecia um garoto de vinte e nove. O jovem vivido. 


– oh, mesmo? – o olhei. 

– sim. Parece mais velho não é? – estava preocupado, será que se importava com o que eu achava sobre ele? 

– não, apenas... Vivido. 

– me chamou de velho. – concluiu de forma errada. 

– não. Só fica mais bonito a cada ano que se passa. – proferi tais palavras corando em seguida, minhas maçãs estavam vermelhinhas igual a da branca de neve. 

– obrigado. – seus olhos pareciam brilhantes, mas é apenas impressão minha... A lua refletia em suas joias negras, dando-me várias impressões erradas... Ou não. – é... – percebi que estava hesitando. – vamos dormir? – gaguejou. 

– dormir? – inquiri. 

– sim. – puxou levemente meu antebraço, me deixando arrepiada. Ele percebeu, riu ao notar minha vergonha. – não precisa sentir vergonha, docinho. 


Está ajudado muito! 




– tudo bem. – levantei-me e segurei sua mão. O simples fato de termos nos beijado não me deixou intimidada, viver sobre suas palavras e olhares me deixam envergonhada. É como se estivesse vendo meus mais profundos desejos...



Capítulo 7 – Hot Night





Seguimos até perto de um abrigo, feita apenas com paus e folhas de bananeira. Então era isto que ele andava fazendo o dia todo. Não era muito grande nem muito pequena, era o suficiente para duas pessoas estarem dentro da mesma para poderem dormir ou se abrigarem da chuva.


- Nossa, como você conseguiu fazer? — estava completamente admirada —

- Simplemente andei pela a ilha procurando paus e folhas para poder fazer um abrigo pra nós dois. Sempre é melhor do que dormir na areia com a chuva e o vento batendo direto no nosso corpo. Não é nenhum hotel de 5 estrelas mas é o máximo que podemos ter. — continuei admirada — que se passa ? Não gostou docinho?

- Eu gostei, apenas não estava esperando isto. — o vi entrar dentro da mesma —

- Vai ficar aí fora ou vai entrar?


Entrei e me deitei nas folhas que tinha no chão, acredito que a gente iria dormir em cima delas. Olhava tudo isto e me perguntava, para onde tinha ido o capitão resmungão e boca suja? Não parecerá o mesmo homem que conheci antes de embarcar. Me recordava da cena na sala entre ele e a Maria, seriam namorados? Mas se fosse porquê ele sairia beijando outras mulheres. Curiosidade permanecia e o sono não vinha, notei que ele também estava acordado e tentei puxar assusto pra matar a curiosidade. Uie perguntar não custa né mesmo, ainda mais agora que ele está calmo.


- Psiu… Michael?

- Sim docinho?

- Não consegue dormir também?

- Não…

- Posso perguntar algo pra você?

- pode falar.

- O que você tem com a Maria?

- O que isso lhe interessa perua?

- Nossa, voltou o capitão boca suja. Esqueca… — me virei dando minhas costas para ele —

- Hey! Não me vire as costas quando estou conversando com você — o mesmo tocou na minha cintura tentando me virar, meu corpo arrepiou com o contacto dele — você vai se arrepiar toda vez que eu tocar em você?

- será que não consegue sentir que tem as mãos frias, por isso me arrepiou seu…

- Nem tente terminar a frase.

- Porquê? O que me vai fazer? Amarrar e me jogar aos tubarões.

- Não me desafie ou não responderei por mim perua.

- Já falei que não sou pérua.

- Me prova de novo que não é, não fiquei ainda convencido de que não é uma.

- uie quer que eu te beije de novo seu safado?

- me mostre que não é uma perua.


Ele estava me tirando, pior que minhas forças estão sensíveis, apenas de sentir seu toque me deixava nervosa. Quem ele pensa que é pra ficar me chamando toda hora de perua? Será que o beijo não foi suficiente?


- Estou esperando perua. — sorriu com ar de convencido —


Não pensei duas vezes e saltei pra cima dele, sentei nas suas coxas com uma perna de cada lado, baixei meu rosto ao nível do seu e o beijei lentamente. Sinto uma de suas mãos na minha cintura me segurando e puxando um pouco mais pra cima, fazendo me sentar bem em cima do seu membro, poderia sentir o mesmo duro por conta de estar apenas de saia e calcinha.
A última vez que me vi nesta situação foi com o Jacob na nossa última noite de amor até então nunca tive nada íntimo com ninguém.
Aquela boca gostosa me deixava nas nuvens, não sintia mais o gosto de álcool como mas cedo. O ar começava a faltar, sinto o mesmo mordiscar meu lábio inferior e trilhando um rasto de selinhos até meu ouvido.


- Porquê você sempre vem se meter no meu caminho docinho?

- Você quem começou, acho que já te provei o suficiente de que não sou nenhuma perua. Você pode ser um arrogante e boca suja, mas o que tem de arregorante, tem de gostoso.

-  Você então me acha gostoso?

-  falei nada — meus pensamentos sempre falam mais alto, fiz uma pausa e continuei — fala pra mim, você estava jogando comingo mais cedo só pra me beijar? Eu vem vi seu olhar constantes pros meus lábios.

- não seja convencida e sim eu estava afim de beijar você, só queria ter prova de que valia apena, mas não vou negar que é gostosa pra caralho, fui obrigado a jogar com você pra poder te beijar e por sinal valeu apena você beija bem.

- Sério que fez de prepósito, ficou torrando meu saco desde que te conheci.

- Não é bem assim…

- Então é o quê ?

- Calma Emy, está vendo, já estamos brigando de novo.

- Tá, então pode começar a falar — permaneci em cima dele de braços cruzados —

- Na verdade só comecei jogando quando voçcê estava na água e sim eu estava olhando pra você naquele momento, uie não sou de ferro. Tive então que conseguir uma forma de poder beijar você sem que brigasse.

- Pois bem já consegiu o queria, já provei pra você que não sou nenhuma perua logo pare de me chamar como tal.

- okay docinho.

- Me vai responder agora sobre a pergunta que tinha feito a você?

- Qual?

- O que há entre você e a Maria.

- Okay… entre mim e ela não tem nada.

- Mas vocês estavam se beijando.

- Docinho, ela apenas é um amor antigo, a gente foi um casal, mas eu não a amo mais, não passa de uma amante para saciar meu desejos sexuais. É passado como falei não tenho nada com ela a não ser sexo.

- Então quer dizer que é um capitão velho safado. Logo vi…

- Velho??? Há não você agora está pedindo. Te mostro o quanto velho eu sou.


Sinto ser jogada no outro lado e o mesmo vindo para cima de mim, não tive tempo de reação, sinto sua boca na minha beijando delicadamente, fiquei igual a uma estátua sem reação, demorou até voltar há terra, sua lingua pedia passagem e abri a mesma correspondendo ao seu beijo. Uma de suas mãos já estava na minha coxa a apertando enquanto me beijava.
Seu volume tocava na minha vagina, sim aquele safado já estava ficando excitado já eu estava completamente encharcada.
Um rasto de selinhos foi dados até aos meus seios, retirou minha blusa e meu soutien junto deixando os mesmo na sua visão.
Gemi ao sentir sua boca lambendo cada um e foi continuando até chegar na minha saia. Se inclinou até meu ouvido pressionando seu membro contra a minha buceta.


- Me deixe te provar, estou prontinho pra você Emy.


Nesse momento esqueci de tudo, o que mais queria era sentir aquele capitão por dentro, minhas mãos ganham vida própria e vão até sua calça, fazendo a mesma ficar aberta e tocando no seu membro por cima do boxer branco.


- Isso Emy, toca nele, sente a potência.


Tirei o mesmo para fora, nossa como era grande e grosso, sua cabecinha já se encontrava toda rosada e encharcada por conta do pré gozo. Deslizei bem devagar até sua base subindo de seguida, seus olhos se fecharam com os meus movimentos. Não levou muito tempo para ele me fazer parar, seu orgasmo estaria perto.
Retirei suas roupas, ficando completamente nú na minha frente, para um homem de quarente e três anos até que me surpreendeu.

Suas mãos retiraram minhas últimas peças, revelando a minha buceta totalmente encharcada, me olha nos olhos e coloca dois dedos dentro da minha vagina.
Mordia meu lábio inferior de olhos fechados sentidos seus dedos me masturbando, o mesmo do nada parou, eu ia reclamar mas nem deu tempo pois foram substituídos pelo seu membro. Levantei as costas do chão um pouco ao sentir toda sua extensão e grossura entrando dentro de mim. Reprovei ao sentir um bocadinho de dor por do tamanho.

- Está bem?

- Sim, apenas doendo um pouco por conta do seu tamanho. Onde foi buscar um pinto tão grande e grosso?

- Foi o pinto que a minha mãe me deu e não se vai arrepender de sentir ele, irei fazer você clamar por ele. — começou se movendo lentamente, fechei meus olhos gemendo —


Aos poucos foi aumentando as investidas, sua boca gostosa já se encontrará na minha abafando um pouco nossos gemidos, sua respiração falhava assim como a minha mas o prazer era muito maior. Meu orgasmos estava perto, minhas paredes vaginais apertavam seu membro,não demorou muito para me desfazer ali mesmo, mais umas estocadas fortes e rápidas e ele se derramou dentro de mim.

O silêncio se fez presente, apenas nossas respirações aceleradas era possível escutar. Sinto seu membro saindo de dentro de min completamente enchado e ereto. Meu deus como ele ainda poderia estar excitado.


- Preparada para outra??

- Como ainda consegue estar desse jeito sendo que acabou de gozar? — o mesmo se enclina até meu ouvido -

- Estou vendo que não aguenta a potência aqui do velho. Acho que é você quem é a velha aqui.

- Nem a pau — não ia deixar ele me desbochar de novo –


Mudo de posição, subindo nele, pego no seu membro me encaixando e começo a cavalgar em cima dele, suas mãos estavam na minha bunda apertando e ajudando nos movimentos.
Sinto sua mão bater na minha bunda com força e insistindo pra ir mais rápido, com certeza teria a marca de seus 5 dedos. Em poucos minutos gozamos novamente e cai exausta, deitei em cima do seu peito completamente afogante, podia escutar seu coração batendo bem rápido, o mesmo me abraçou e se retirou de dentro de mim.
Me deitei do lado completamente exausta, o sono já dava sua presença, não demorou muito pra ter adormecido abraçada a ele.





Capítulo 8 – Unnecessary ights always end in love




Além do horizonte, já se era possível ver o sol à raiar... O céu alaranjado com nuvens um tanto carregadas, fazia com que o mar se transformasse em uma espécie de espelho para sua beleza estonteante. Assim que meus olhos abriram-se, a primeira coisa que vislumbrei fora esta bela paisagem.

Michael não encontrava-se dentro da cabana. Isso me proporcionava um tempo para pensar e relembrar os momentos maravilhosos que passei ao seu lado ontem a noite. Sabia que por trás de toda aquela armadura de "velho rabugento" havia um homem que poderia fazer loucuras entre quatro paredes... Ou entre várias folhas de bananeiras. Pensar em todas as posições, movimentos e beijos da noite passada me fazia sentir um calor escaldante dentro de meu ser. Michael me enlouquece, é algo difícil de não aceitar... E não é correto, Jacob é meu único e verdadeiro amor.
Meio despersa nas minhas imaginações, lembrei-me que estava sem roupa alguma. Receosa de que o capitão aparecece sem prévia na cabana, procurei por minhas roupas encontrando-as logo após.

Quando, finalmente, senti meus pés tocarem a areia e o vento assobiando assoprar meus cabelos cor de ferrugem, vi de longe que Michael se direciona a a mim. Em suas mãos havia cachos de bananas; cocos e mangas.

A visão dos deuses... Um dês jejum acompanhado de um anjo ignorantemente lindo.

– está com fome? – indagou. O suor caia por sua testa e fazia uma trilha até chegar em seus ombros largos coberto por sua blusa escura.

– sim... – respondi timidamente desviando o olhar.
– tem frutos nas árvores, caso queira comer. – eu realmente não o entendo!

À pouco, estava a me penetrar sobre aquelas folhas e agora simplesmente me responde dessa forma ignorante?!

– ah, eu perdi a fome. – grunhi virando-me ligeiramente de braços cruzados, bicuda igual criança birrenta. Meus passos poderiam prosseguir até onde eu não agüentasse mais, mas sua voz grossa e melodiosa chamou por meu nome e me fez parar quieta onde estava:

– Emy, era só uma brincadeira... – disse pondo suas mãos grandes em cada ombro meu. É impressionante como meu corpo responde a seus mínimos toques. – você quer? – estendeu sua mão junto de uma rosa vermelha com suas pétalas arredondada delicadas e cheirosas.

Seus diamantes negros me fitavam como se não houvesse amanhã, o encarei na mesma intensidade sentindo os batimentos cardíacos acelerar a cada segundo que se passava. A censsação mais se parecia com um êxtase.

– sim... – minhas cordas vocais emitiu o som quase que inaudível de minha voz respondendo. Recebi a flor de sua mão e nossos dedos se chocaram, permanecendo grudados por longos segundos que mais pareciam horas. Até que sinto os mesmos escorregarem pelos meus e se distânciarem... Me deixando quase que vazia. – obrigada... – murmurei com um meio sorriso nos lábios.

– por nada, docinho! – bateu continência olhando-me por cima.

Após vê-lo fazer tal ato, seguimos até a pedra que ficava próximo a árvore ao lado de nosso abrigo. A comida... Saudável, que fora buscar para comermos estava sob as folhas amareladas. Nos servimos de nossa primeira refeição com olhares sugestivos à devorar um ao outro.

Minha visão poderia está tomada para a de Michael, mas os pensamentos se mantinham focados em descobrir uma forma de escapar desta ilha deserta. Certo, em alguns momentos minhas elucubracões são tomadas totalmente para ele,  suas qualidades e habilidades... – E que habilidades! – mas deveríamos ao menos, tentar encontrar uma solução...

– Emily! – chamou despertando-me do transe. Arregalei os olhos. – estou chamando por você há um bom tempo, por acaso pensava em mim...? – o sorriso cafajeste que estendeu-se de ponta a ponta em sua boca, me deixou intrigada.

– oh, não! – sacudo a cabeça em movimentos frenéticos. – estava apenas... Apenas despersa de mais. – explicações nunca fora meu forte.

– uhum. – uma fileira de dentes estonteantemente brancas estava a ser observada por mim enquando mordia e degustava uma maçã verde. Michael carregava um sorriso invejável. – precisamos conversar.

– sou toda ouvidos. – o olhei atenciosamente. Sorriso fácil e bom humor... Características como essas me fez constatar que Michael estava totalmente despreocupado.

– é sobre a noite passada, docinho. – suas palavras chegaram até mim como pingos de chuva: frio e isolado.

O último assunto para discutirmos que eu poderia escolher.

– sim. – digo fechando levemente os olhos e abrindo em seguida, sentia o rosto em uma umidade impressionante, vermelho igual tomate.

– eu não queria que aquilo houvesse acontecido. – pontuou.

Acompanhei os movimentos dos lábios de Michael proferindo tais palavras com um vinco ao meio da testa, causado por minha imensa vontade de desmanchar em lágrimas. Michael olhava-me atenciosamente e minuciosamente... Queria ver qual seria a minha reação após ter dito sem aviso algum, no café da manhã, que havia apenas me usado. Ele me usou... Perceber o verdadeiro motivo de ele ter me chamado para aquela cabana, doía igual morte de algum ente querido.

Sentimentos envolvidos a solidão invadia meu coração querendo esborrar por meu olhos toda a dor que isso pode causar, nao é todos os dias que sou usadas por qualquer maldito homem.

– eu também não. – prendi os dentes entre os lábios contendo a vontade de chorar.

Não seja boba Emily, irá deixar que esse capitão zombe de você desta maneira? Irá chorar como todas as outras vezes... Sei que pode ser doloroso, mas sua força de vontade para erguer a cabeça é maior. Enfrente-o! – uma vozinha qualquer de minha imaginação sussurrou me dando forças e coragem.

– mesmo?! – maneei a cabeça. – pelo menos, temos algo em comum! – disse sorrindo.

Oh nossa, que coisa hein!!!

– sim. E se depender de mim teremos apenas isso em comum. – cruzei os braços e levantei-me da pedra.

À passos largos – praticamente correndo. –, adentrei o conjunto de renques pisando duro. Afogada na raiva, cheguei a cogitar ir até ele e o encher de tapas. Como que um ser, criado por Deus, tem a capacidade de me humilhar desta forma? É apenas vir falar umas coisas agradáveis e depois partir, eu realmente mereço?

Ira. O sentimento que mais abomino é exatamente o que estou sentindo, Michael me deixa irada!

Os verdes arvoredos não me proporcionavam ter uma visualização melhor do caminho em que estava trajando, as folhas chacoalhavam e eu tentava ouvir um barulho qualquer que não fosse da natureza. Pássaros cantavam, as cigarras gritavam e eu praguejava o momento em que aquela embarcação virou.

Os movimentos de meus braços em ação para poder tirar arbustos do campo de visão e ver até onde irei chegar, estava deixando-me cansada. Parei o que fazia  apoiando as mãos nos joelhos e suspirando logo em seguida, fazendo com que uma lufada de ar adentrasse por minha boca e chegasse aos pulmões. Depois de demoraveis segundos, enfim, a respiração já não estava tão descompassada… voltando a postura correta, continuei a debater contra os galhos que vinha pela frente.

Mas um arbusto – em especial! – escondia por trás de suas espalhadas folhas, pequenas frutinhas vermelhas. Aproximei-me da planta alucinada de mais para me importar com os galhos que roçavam e riscavam meus braços descobertos. A cada passo dado por mim, sentia como se a vontade de degustar aqueles frutos fosse uma necessidade… um cacho fora tirado e a constatação veio como torrente em minha mente:

Essas frutinhas!… são quelas que minha mãe costumava pôr na salada quando fazíamos a celebração Natalina!

Isso quase havia roubado meu foco, mas retardei tais pensamentos ao colocar uma em minha boca e logo depois mais outra… Outra… Outra. Com tamanha sequência e velocidade acabei por ingerir várias sem nem pensar nas consequências. Continuei a andar por aquela ilha deserta sentindo uma imensa tontura e náusea, entrelaçava os braços sobre minha barriga ouvindo-a ranger, me fazendo inclinar a coluna e morder o lábio inferior.

A aflição deixava meu sensível juízo atordoado mas uma voz suave e acolhedora, como um dia ensolarado, tirou-me do torpor da agonia me fazendo segui-la...

– If you smile… – é como uma pluma, leve igual neve, reconfortante ao ponto de não querer parar de ouvir. – ...With your fear and sorrow… – a voz de longe se era possível ouvir, calma e acolhedora. – Smile and maybe tomorrow... You'll see the sun come shining through, for you… – a última estrofe subiu duas oitavas, mas ainda era suave.

O canto dos anjos havia cessado, meus olhos rodavam por todas as árvores e plantas altas a procura do dono de tal santidade, mas nada tinha achado. Apenas Michael estava de costas com as mãos nos bolsos, sem camisa, descalço e… Cantando.

– Light, up your face with gladness... – involuntariamente, meus pés vagarosamente, migraram em sua direção. – Hide, every trace of sadness, although a tear may be ever so near… – uma pausa se estabeleceu entre nossos corpos distanciados. – perdeu alguma coisa? – indagou virando-se de repente, seus olhos pareciam tristes e nostálgicos… A voz estava grossa, como a de um verdadeiro carrancudo sádico.

– a vontade de ficar te olhando! – digo olhando diretamente para suas retinas escuras, a estas alturas, as náuseas já haviam se indo embora… junto com toda minha ira.

– fecha os olhos. – disse sugestivo e rude. Durante breves minutos vi um Michael doce e amoroso a cantar com uma voz linda, mas é coisa de momento, sua bipolaridade é impressionante! Conseguiu destruir o pouco de admiração que tinha sobre ele!

– ah, saia da minha frente! – ordenei me aproximando. Pretendia passar por Michael o mais rápido possível, mas seus cristais negros me prendiam totalmente.

– saia você. – me olhou da cabeça aos pés.

Odeio quando faz isso seu capitão carrancudo, parece que estou descabelada e com a roupa amassada!

– ata, eu não dou um passo! – enfrentei.

– nem eu. – pontuou despreocupado.

– você está querendo me provocar, é isso? – não era preciso muito para conseguir tal coisa… não sei de onde arranjei coragem para o enfrentar.

– na verdade, estou querendo te esquecer. – falou com as mãos ainda no bolso, mas desta vez desviou o olhar.

– é fácil, usa a imaginação.

– hum… eu não preciso. – deu um passo adiante.

– oh, mesmo? Bom pra você! – recuei para trás sentindo minhas costas encostar em uma enorme árvore.

– isso é ótimo pra mim. – decretou.

– seu… seu mandão! – apenas alguns passos e ele estaria colado á meu corpo, parece tentador.

– descabelada. – disse paulatinamente.

Oh, droga! Preciso de um pente…

– desarrumado! – ele sorriu cinicamente.

– foi você quem me deixou assim ontem a noite, perua mimada! – sussurrou próximo a meu rosto.

– ogro!

– eu te odeio! – elevou uma sobrancelha.

– eu te odeio muit…



Um gemido escapou audivelmente de minha boca quando Michael passou a reivindicar meus lábios com tamanha pressão. Sua língua quente duelava com a minha ao ponto do gosto metálico de sangue se presenciar fazendo correntes elétricas cruzarem as pernas e estabelecer-se em meu baixo ventre, suas mãos inquietas seguraram minha cintura fortemente.






Capítulo 9 - Is it just attraction?




Simplesmente eu não conseguia resistir a ele, mas precisava, mas ao mesmo tempo não quero. Não tive muito que fazer a não ser responder ao seu beijo.
O ar começou a faltar, desgrudamos os lábios e suas mãos automaticamente foram da minha cintura até hás minhas mãos a interlaçado.


- Fica calma docinho — Seus olhos negros me olhavam —  sobre o assunto de ontem eu estava brincando com você. Eu amei a noite de ontem, apenas não esperava que você fosse tão gostosa.

- Eu te odeio, me deixa seu parvalhão — tentei me soltar, mas seu corpo e suas mãos não deixavam — acha que é correto ficar me magoando?? estou passando por uma face difícil e você ainda fala que me fica usando. Eu que sou uma burra por ter me deixado levar, além do mais eu nem deveria…

- Estava brincando docinho, vai ficar chateada comigo? — abaixei meu rosto e meus olhos já começara a deixar cair lágrimas —

— Não chora. Olha pra mim? — Simplesmente ignoro e o mesmo me abraça — Emily! Estou falando com você docinho — levou sua mão até ao meu rosto o tocando, fazendo eu olhar em seus olhos — Desculpa, não queria magoar você.


- Não queria, mas o fez seu monstro… — eu estava com ódio dele, primeiro o Jacob agora ele, porque sempre eu a estúpida? Bati no seu peito enquanto chorava —

Sinto minhas mãos sendo agarradas de novo, mas desta vez seria para eu parar de bater nele. O mesmo não se importa com os xingamentos e o sinto me beijar calmamente, o gosto salgado das minhas lagrimas misturado com o quente de sua boca me deixaram mais frágil. Sua língua pede passagem, aceitando de seguida tentando esquecer tudo que aconteceu até ao momento.
Seu beijo me acalmou, deixando com vontade de o pegar e não desgrudar mais, não gostava de dar o braço a torcer, mas desta vez deixei minha mente me levar.

- Porque você é tão amável e carinhoso e outras vezes fica de mal humor e sendo mal educado? — olhei em seus olhos —

- Quem sabe um dia você saiba o motivo…

- Porque faz isto comigo?

- Nem eu mesmo sei docinho, acho que estou começando a sentir algo por você, coisa que não sentia há anos…

- Mas isto não é correto…

- Porque você diz isso?

- Quando mandarem ajuda pra salvar a gente, você nunca mais vai querer olhar para a minha cara, terá a Maria de braços abertos para você e eu não passarei de una diversão já que ela não está aqui pra te saciar.

- Não fala isso, não estou te usando, eu te acho gostosa sim, mas realmente estou sentido algo por você e sobre a Maria já expliquei pra você que ela é apenas um amor antigo, não amo ela mais, é apenas como uma prostituta pra mim só que de graça, não sinto amor como sentia quando faço sexo com ela. Pior agora que estive com você, provei de você, eu quero você… — seus olhos me olham, parecia tão sincero, ele estava sendo mais amoroso e preocupante do que o próprio Jacob, mas não podia me deixar levar, além do mais eu já o trai para falar a verdade e jamais ele me irá perdoar —

- Eu não posso… estou passando por uma situação difícil e não deveria ter me deixado levar, foi um erro.

- Porquê um erro?? Há horas atrás você me beijava, cavalgava e clamava meu nome cheia de prazer, eu via em seus olhos que não era apenas tesão.

- Eu tenho namorado…

- Como assim?

- Quer dizer eu tenho eu acho, apesar de eu ter traído ele ontem com você… as coisas não estão bem… minha cabeça está feita num oito. Não sei o que fazer, eu não gosto de dar o braço a torcer, mas sim eu amei ontem mesmo tendo sido incorreto, não por você, mas sim por mim…

- O que aconteceu??? —olhei pra seus olhos negros e comecei a contar —

- O Jacob não queria ter filhos, eu amava ter, um dos meus sonhos e quando ele falou isso me magoou um pouco. A gente namora tem bastante tempo , anos pra ser sincera, todas as surpresas que ele me fazia eu ficava pensando que seria o próximo passo da nossa relação, o casamento, mas nunca era isso, esta última vez ele me convidou pra jantar fora pois teria uma surpresa pra mim e não passou de um par de brincos caros, a burra aqui pensando que seria  um anel junto com um pedido de casamento, mas me enganei. A gente estava procurando uma casa para morar mas eu tive um problema pois era necessários uns documentos e eu não tinha comigo estava na casa da minha mãe em Miami pois eu era de lá, eu queria que tudo fosse processado o mais rápido possível logo eu liguei pra minha mãe avisando que iria estando viajando pra Miami e ficaria na casa dela pra pegar uns documentos aproveitando assim pra matar saudades dela, mas daí aconteceu o que você sabe e estou aqui com você. Eu estou um pouco magoada ainda com o Jacob e essa minha ida pra Miami ajudaria a colocar a cabeça noite lugar, ele nunca me falava um “eu te amo” era sempre em resposta ao meu te amo um “eu também” , isso não significado que me ama, já para nem falar que nem um bom dia carinhoso me dava era tudo palavras secas, chega a um pouco que começa machucando e você não sabe mais se essa pessoa te ama mais, mas o que foi uma faca pra mim foi de ele não querer ter filhos. Eu estava pensando em dar um tempo, daí você aparece no meu caminho num momento em que estou frágil e acabei me deixando levar, por isso a gente teve aquela noite que para falar a verdade foi maravilhosa, mas para você não deve ter passado de mais uma das suas conquistas. Foi um erro, eu traí e fui fraca por não ter resistido a você.

- Não fala isso Emy, nossa noite foi maravilhosa tal como você mesma falou e não, eu não pensei nem senti isso que você falou. Eu amei e faria de novo, como tinha falado pra você, mesmo você ter esse relacionamento com o Jacob eu não meu arrependo de nada e irei correr atrás, acredito que desta vez não irei sofrer como foi no passado com a Maria….

- Você está falando sério?

- Sim, eu quero você docinho.


Nunca tinha visto o capitão tão manso muito menos amoroso e gentil do jeito que ele estava, parecia que tinha outro Michael na minha frente, outro diferente daquele que eu conhecera. Ele parecia tão sincero, parece que consegui dominar a fera mal educada e brutamontes.

Será que está nascendo alguma paixoneta entre a gente?? Perguntas que só terão respostas com o tempo.





Capítulo 10 - Love is in simple jokes




– oh Michael, é tão bom ouvir isso vindo de você...

Feliz e receosa. Era assim que eu me sentia; as sensações eram tão boas que seriam capazes de molhar meu rosto com lágrimas quentes e acolhedoras fazendo um trajeto até molhar os ombros largos do homem que, provavelmente, estarei sentindo algo por ele. Algo forte e inesquecível, nunca acontecido outra vez comigo.

– acho que estou me apaixonando. – conclui baixinho escondida entre os braços dele. – por você... – senti seu corpo endurecer.

– e você acha certo? – franzi o cenho – quer dizer, seu namorado... Você tem um namorado!

Michael me empurrou e coçou a nuca.

– eu não gosto mais dele. Assim, é... gosto sim... – ele me olhos de olhos esbugalhados – como amigo. – expliquei

– mas você ainda esta com ele, ainda está por baixo da asa dele! – estava começando a alterar-se, e isso não é bom.

– ei, ei. Eu não o amo mais, irei acabar tudo com Jacob! – me aproximei de Michael e segurei seu rosto entre minhas mãos – eu... eu apenas gosto de ti. – digo espalhando "beijinhos" por todo seu rosto para tentar desmanchar aquela face de darão implantada em um rosto angelical esculpido por Deuses.

As mãos grandes de Michael corria por minha cintura fazendo-me desmanchar por completo em seus braços, nossos lábios agora estavam conectados como cola em papel, grudados um no outro. Sua língua habilidosa mantinha uma guerra com a minha, o gosto metálico já se era quase possível sentir. Fomos separados pelo ar que nos faltava.

– oh deus, você é tão boa nisso... – suspirou de olhos fechados, parecia fazer o mesmo que eu...apreciar o momento único que acontecia entre nós.

– em que?

– em beijar, amar... – me abraçou – em me beijar, me amar! – ele olhou no fundo dos meus olhos e sorrio. – eu a amo!

Não pude conter o sorriso e a lágrima que escorreu pela minha bochecha, outro alguém já havia medito tais palavras, mas não com tamanha intensidade, com tamanha sinceridade! Posso até dizer que o dia mais feliz da minha vida é hoje, ao lado dele eu sei que vou ser feliz.

As horas se passaram e fomos dormir, a noite toda não foi capaz de nos satisfazer... a lua é testemunha de que nosso amor é inexplicável ao nível de sermos insaciáveis. Quando acordamos o sol estava ardente, não era mais hora do café da manhã, era almoço e não sabíamos o que íamos comer.

Até o Michael ter a grande ideia de ir pescar peixes e alguns frutos do mar...!

– com o que vamos pescar? – indaguei olhando-o puxar uma madeira semelhante à uma lança pontiaguda.

– com isso. – levantou o pedaço de pau – e sozinho.

– eu não vou? – cruzei os braços

– eu vou. Você não. – mas que absurdo!

– então tá! – digo virando as costas e sumindo pelas areias da praia.

Ora, se aquele velho babão, ignorante... gostoso, lindo… me recompus assim que passei a sentir lampejos entre minhas pernas, aquele cara não me deixa sossegada nem em pensamentos! Que droga, quando menos espero a imagem de momentos prazerosos esta passando como faísca na minha mente, isso me deixa louca por ele! Mas voltando de onde parei... se Michael pensa mesmo que irei ficar parada sem fazer absolutamente nada, ele esta muito enganado!

Já com instrumentos necessários para uma pesca em mãos, virei-me e comtemplei o mar calmo diante de meus olhos. Michael se encontrava posicionado sobre uma pedra segurando seu criativo anzol sem mexer um músculo se quer, parecia atento as águas silenciosas... pensando na burrada que fez ao me dispensar da pescaria talvez... mais ao lado outra rocha ainda maior fez-me aproximar e sentar-se na mesma, tudo estava calmo.

O silêncio não espanta os peixes, e além do mais, é agradável.

O barulho por certas vezes se torna repugnante, assusta todos que estiverem próximo, inclusive eu:

– ah minha nossa senhora das pernas finas!!! Não tem compaixão pelos meus nervos? – indaguei com a mão no peito.

– o que faz aqui, Emy? – parecia visivelmente bravo, acho que não fiz a coisa certa... – não vê que está espantando os peixes com toda essa gritaria?

Ah, eu devo ficar e mostrar pra esse crápula que eu sei pescar!

– quem gritou foi você, até me assustou, agora deixe-me fazer meu trabalho! – ouvi sua sonora gargalhada repleta de deboche em si ecoar pelo oceano como encanto de sereia prestes a enfeitiçar algum pirata, vulgo eu.

Michael, por fim, calou sua boca e o silêncio novamente prevaleceu no lugar. Era estranhamente bom virar meu rosto e dar de cara justamente com a imagem tão bela quanto uma paisagem; a correnteza do vendo soprava seus cabelos – e ele parecia gostar –, Michael cantarolava algo inaudível para qualquer ouvido, apenas para si próprio... parecia um anjo, sim? Só faltaram as asas.

Um impulso muito forte me fez quase cair n'água e fugir das distrações, puxei a ripa para cima e o cipó amarrado como anzol veio sem nada. Balbuciei palavrar sujas e cocei a nuca já cansada de tanto permanecer sentada ali.

– os peixes parecem não gostar de mim! – comentei bicuda.

– claro, você não sabe conquista-los, não é uma boa pescadora! – disse convicto como se houvesse fisgado pelo menos um.

– e você fala muito e age menos! Não tem nem um peixe aí! – apontei para a pedra.

– então vou agir mais e falar menos desta vez! – piscou o olho. Eu sei o que ele está tentando fazer, ele quer me conquistar e deixar-me distraída... mas não vai conseguir...

Abri meus olhos e tudo estava turvo, a água queimava meus olhos como fogo esquenta ferro, a areia abaixo da superfície relava em meus joelhos e cotovelos, meu cabelos agora estavam molhados, minhas roupas boiavam junto de meu corpo assim que Jackson me empurrou água à baixo. Levantei a cabeça ne direcionei meu olhar nele; divertia-se com a situação, gostava de me ver daquele jeito, gostava de me pregar peças… ria como criança secando as lágrimas risonhas que caia de seus olhos. Mal vi o momento que cai.

– seu… seu... – bufei.

– seu o que? – completou dando os primeiros passos para adentrar a água.

– seu indigente, ignorante sádico, arrogante… e, e… estúpido, insuportável! – despejei o conjunto de ofensas na sua frente vendo-o me olhar adoravelmente despreocupado. Ele sorriu.

– eu estava apenas brincando, Emily. – confessou chegando mais perto.

– você sempre brinca... brinca demais.

– é meu jeito de dizer que te amo, lhe irritando! – selou nossos lábios em um beijo repleto de desculpas e paixão. – minha garota!


Vê-lo e ouvi-lo era meu mais prazeroso trabalho durante esses dias, era inevitável não ceder a seus caprichos, era inevitável não ama-lo.


Continua...

71 comentários:

  1. Priscila sempre me impressionando... Continua,amores!!

    Que escritora sensacional você é!!

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    1. Ah, falou a garota que me deixou maluca com a história dela... Pode deixar, vou continuar sim! ❤💮

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  2. Eu vi de cara que esse Jacob não vale nada!Ele a está enrolando a 7 anos e ela não percebe que não a ama. Só não entendo o porquê de está com ela.
    Michael e Amy vão se apaixonar.Amor e ódio caminham lado a lado.Tomara!
    Por favor, continua! Está perfeita!

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  3. Continuaaaaaaaa,esse jacob nn merece ela.tomara q fique com o Michael logo.

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  4. OMG PRIII EU PRECISO QUE ESSE CSPITAO BAD-BOY FACILITE AS COISAS PRA EMY... TÔ AMANDO OI

    CONTINUAAAAAA :)

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    1. Ele é muito duro... Precisa amolecer o coração, não é?
      Vou continuar sim, flor!!! ❤

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  5. Está ótima a história!!
    Parabéns!!

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  6. |ACTUALIZAÇÃO E AVISO|

    A fic a partir de agora terá 2 escritoras, nomeadamente eu (Mikaela) e a Priscila. Foi feita mais ilustração e dado nome a cada capítulos.

    Capítulo 5 postado, espero que gostem, deixem vosso comentário :)

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    1. Eu adoro essa dupla do barulhoooo .

      Parabéns para a Mika e para a Prii :)

      A história eata ficando perfeita !!

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  7. Obg pelo comentários de todas <3 , postei o cap 6 agora mesmo, espero que gostem.

    Em meu nome e em nome da pri, esperemos que gostem <3

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  8. Prii e Mika juntas não tem pra ninguém.... Adoro as duas!!

    Continuaaaaaaa

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  9. Que bom que ela está, aos poucos, domando a fera!😂
    Amo esse Michael "difícil"!😉
    Continua, que a história está instigando a minha imaginação.
    Parabéns!👏😍





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  10. Nao demore a pistar ja rui todas as unhas. Linda fic

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  11. Capítulo 7 postado, primeiro capítulo que leiem da minha autoria na fic, os anteriores apenas dei dicas e ajudei um pouco no texto mas era tudo resultado final da pri. este daqui já é com início da parceria.

    Espero que gostem :)

    Deixem o comentário <3

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  12. MIKAAAAAA DO CÉU... QUE CAPÍTULO FOI ESSE???

    QUE DELÍCIA DE HOMEM,OMG...

    SENTI MUITO CALOR AQUI... PRECISO RECUPERAR O FÔLEGO HAHAHA.

    CONTINUAAAAA,VC É MARAVILHOSA FLOR!!

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  13. Este comentário foi removido pelo autor.

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  14. Capitulo excelente!👏😋
    Isso porque ele não a queria por perto. 
    Imagina se quisessse?😂

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  15. Oiii tudo bem meninas, sorry pela demora anjas, tenho aqui já o capítulo 8 , espero que gostem do capitão brutamontes kkkkkkk Deixem o vosso comentário, é muito importante para a gente <3

    Boa leitura.

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  16. Esse Michael tá me deixando com raiva,afff..... Ele foi muito estúpido e grosso com a Emy... Por favor Mika e Prii façam ele se apaixonar pela Emy o mais rápido possível,eu não aguento mais essa fase de ódio gratuito :(

    Continuaaaaa

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    1. E ele vai, mas aos poucos. O sentimento que Michael sente por Emily não é odio, hehe. As coisas acontecem devagar... Tem que dar tempo ao tempo.

      E iremos continuar, pode ter certeza. Obrigada por comentar, flor!

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    2. AHAHAH eu mesma me da vontade de dar um tapa no Michael pra ele acordar e para de ser bobo kkkkkkkkk

      Obg por comentário, iremos continuar anja

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    3. Mikaela Sofia & Priscila Rayane OBRIGADA FLORES LINDAS DO MEU JARDIM!

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  17. Acredito que ele está lutando para não se apaixonar, mas já está e talvez esteja na fase da negação. Ele parece ter sofrido por amor. Imagina quando descobrir que ela tem namorado? 🤔
    Continua que está muito bom.

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  18. continueeeeeeeem... mas nao deixem essa carranca do mike cair nao... esta tao bom assim, mantenham ele ignirante! particurlamente, ame. acho que as meninas tembem acha isso. amo esse capitao carrancudo........

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    1. Terminei ontem de escrever o cap, só estou esperando a pri fazer a capa , era pra postar hj mas como não tenho ainda a capa, logo não postei.

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    2. tá legal, eu espero. (desculpa os erros do comentário acima, pliss)

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  19. Olá meninas, desculpem a demora a postar, estava finalizando o cap, espero que gostem anjas :) Boa leitura

    Deixem a vossa opinião nos comentários :)

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  20. Mikaela Sofia ESTOU AMANDO ESSE CAPITULO DE HOJE!! GRAÇAS A DEUS O MICHAEL ABRIU O CORAÇÃO PARA A EMY E ESTÁ DEIXANDO DE SER AQUELE ESTÚPIDO ARROGANTE!!

    CONTINUAAAAAA :)

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  21. Que bom que ela abriu o coração para Michael! Deixou esclarecido sua relação com o Jacob e só falta Michael conta sobre sua vida.Finalmente ela encontrou alguém melhor que esse nojento do Jacob.

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  22. Capítulo 10 postado, espero que gostem, deixem vosso comentário aqui

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  23. Parabéns por este capítulo sensacional.

    Amei essa declaração do Michael <3

    Nao demorem para postar o capítulo 11 hein ? :)

    Continua logoooooo

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    1. não sei quando vou postar pois ainda não comecei a escerver, pois só hj tive acesso ao capitulo 10

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  24. 👏👏👏 Muito bom!
    Fico pensando... como será quando eles saírem daí?

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  25. Vcs nunca mais atualizaram a fanfic to morrendo de saudade! Por favor voltem logo!

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  26. Nossa que história...pena que não terminou.... Por favor voltem a história e ótima linda por sinal... Continua...

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